sábado, 14 de julho de 2012

O Castel Sant' Angelo

Como Rive Gauche continua em Roma, vamos falar do Castel Sant' Angelo, também conhecido como Mausoléu de Adriano, localiza-se à margem direita do Rio Tibre, a poucas centenas de metros do Vaticano e que é hoje um museu.

A sua primitiva estrutura foi iniciada em 123 pelo Imperador Adriano como um mausoléu pessoal e familiar que ficaram conhecidas como as Tumbas de Adriano), vindo a ser concluído por Antonino Pio, em 139.

O monumento, construído em travertino (uma rocha calcária, composta de calcita, aragonita e limonita), era adornado por uma quadriga (conduzida por quatro cavalos lado à lado, utilizada nos jogos olímpicos) em bronze, conduzida por Adriano.

Em pouco tempo, entretanto, a sua função foi alterada, sendo utilizado como edifício militar e, já nessa qualidade foi que passou a integrar a Muralha Aureliana em 403 e sua atual designação remonta a 590, durante uma grande epidemia de peste que assolou Roma.

Na ocasião, o Papa Gregório I afirmou ter visto o Arcanjo São Miguel sobre o topo do castelo, que embainhava a sua espada, indicando o fim da epidemia e, para celebrar essa aparição, uma estátua de um anjo coroa o edifício: inicialmente um mármore de Raffaello da Montelupo, e desde 1753, um bronze de Pierre van Verschaffelt sobre um esboço Gian Lorenzo Bernini.

Durante a época medieval esta foi a mais importante das fortalezas pertencentes aos Papas e muito depois, na época dos movimentos de unificação da Itália ocorridos no século XIX, serviu também como prisão.

De seu terraço superior, tem-se uma magnífica vista do rio Tibre, dos prédios da cidade e até mesmo do domo superior da Basílica de São Pedro e sua planta circular e sua arquitetura renascentista influenciou os Fortes do Bugio em Portugal e de São Marcelo, no Brasil.

Em frente ao castelo fica a Ponte Sant'Angelo, por sobre o Rio Tibre, que é ornada por doze estátuas de anjos esculpidas por Gian Lorenzo Bernini.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Harry’s Bar, um nome mágico

Toda cidade do “grand monde” tem seu Harry’s Bar: Londres, New York, São Paulo, Paris, Veneza, Amsterdam, Sidney, Florença, Montreux, San Francisco, Singapore e Roma têm o seu.

Mas hoje vamos falar do de Roma, já que Rive Gauche está trabalhando na capital italiana até a semana que vem.

Fundado em 1959, só adotou esse nome em 1962, mas o café existe desde 1918. Foi a Golden Gate de confeiteiro, citado em muitos livros. No final dos anos vinte, tornou-se parte da família do De Gasperis até 1958.

Só por seu ambiente chic, suas poltronas confortáveis e suas paredes em boisseirie são uma boa razão para ir conhecê-lo e sentir a verdadeira atmosfera da famosa "Dolce Vita" italiana como se você estivesse em um filme da época, em um flashback para a era de ouro da Via Veneto, quando Frank Sinatra cantava ao piano e todas as estrelas do cinema paravam para ouvi-lo neste bar e restaurante cheio de glamour e estilo.

Até os dias de hoje há sempre uma agradável música ao vivo, com piano e uma cantora para trazer as boas lembranças dos anos 60 e sua cozinha continua requintada, sempre com o frescor dos sabores do Mediterrâneo, sempre muito bem acompanhados de prestigiosos rótulos e um serviço de alta classe.






 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Mão de Deus e a Mão do Homem - Paris ou Roma

Há quase um ano atrás, em 28/07/2011, publiquei uma crônica sob o título "A Mão de Deus e a Mão do Homem", onde comparava Paris, a mão do homem, com o Rio de Janeiro, naturalmente a mão de Deus.

Pouco tempo depois recebi um e-mail de um senhor, italiano, é claro, onde insistia comigo que a cidade que havia realmente sido feita pela "mão do homem" era Roma e não Paris.

Argumentava que quando Roma já era um império colossal Paris não passava de uma pobre aldeia no meio de no nada e que só começou a valer com a chegada deles, os romanos, é claro.

Lembrei disso porque hoje estou em Roma, que é lindíssima, mas me perdoem, Paris é muito mais.

E quanto ao senhor italiano, respondi à época que entendia seu ponto de vista, mas que como minha coluna e blog se chamam Rive Gauche, era natural que escrevesse sobre Paris e não sobre Roma, se o fosse, chamaria a coluna e o blog de Forum Romanum.

Segue a coluna que deu origem ao caso.

A Mão de Deus e a Mão do Homem

Nada me tira da cabeça que a atual proximidade do carioca com o parisiense tem algo místico, algo de destino.

Afinal, dez anos antes da fundação do Rio em 1565, fomos invadidos por franceses capitaneados por Villegagnon – que instalou na Guanabara a França Antártica, onde resistiram até 1567, dois anos após a cidade ter sido fundada por Estácio de Sá.

Os franceses voltaram a interferir em nossa História em 1808, durante as Guerras Napoleônicas, quando forçaram a corte portuguesa a fugir para Brasil, então sua colônia, elevando o Rio à condição de Capital do Reino de Portugal e dos Algarves, para em 1815 se tornar a Capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, após condução do Brasil a parte importante do Reino.

Mas vamos deixando o misticismo e a História de lado e ir logo para as Mãos do título.

Por força do trabalho de meu pai e, depois, do meu, sempre viajei muito e pude ter a sorte de conhecer muitas cidades pelo mundo todo, e em nenhuma delas sinto tanto a Mão de Deus e de sua Criação como no Rio de Janeiro.

No Rio temos o verde dos parques naturais, como o da Pedra Branca, que abriga a maior floresta urbana do mundo, e o da Tijuca, com suas grutas e cachoeiras.

Temos a Baía da Guanabara, com seus insistentes golfinhos e suas ilhas, temos as lagoas, como a Rodrigo de Freitas, a da Tijuca, a de Marapendi e de Jacarepaguá, e ainda temos o contraste das pedras, como o Pão de Açúcar, Corcovado, Gávea e Dois Irmãos, com o brilho das areias das trinta e cinco praias e do seu litoral que conta com mais de cem ilhas e uma restinga, a de Marambaia.

E, por pura “covardia” Divina, temos um céu maravilhoso e um povo charmoso e encantador.

De forma inversa, Paris encanta porque nela sentimos a Mão do Homem, que pegou uma cidade quase sem natureza e a transformou na Cidade-Luz, um museu a céu aberto onde – a partir de sua reforma entre 1851 e 1870, levada a cabo pelo Barão Georges Eugène Haussmann, então Prefeito de Paris (que culminou por editar leis de posturas urbanas que têm vigência até os dias de hoje) – surgiu essa uniformidade nas ruas, com as características quase únicas em toda a cidade, os pequenos prédios com suas mansardas no último andar, lojas no térreo, varandas e grades nos andares intermediários.

Esse “urbanismo monumental” que Haussmann empreendeu é que transformou Paris no que ela é hoje: elegante, soberba e, talvez, até eterna.

A grandiosidade dos bulevares, das obras de infraestrutura como canais, esgotos e adutoras, parques, monumentos, feitas para suportar décadas de crescimento populacional, botando abaixo centenas de prédios e realojando milhares de parisienses, destruindo bairros por inteiro.

E ainda com uma curiosidade: como revoltas eram comuns naquela época, os grandes bulevares foram desenhados em formas quase retas, de modo a garantir uma rápida disposição de tropas que sairiam de seus quartéis ou das inúmeras gares de então.

Para se ter uma idéia do que foi feito pela Mão do Homem naquela época: a Via Triunfal e sua “sequência monumental”, sem par em todo o mundo, desde a Île de la Cité, passando pelos jardins do Louvre em direção aos das Tuileries e à Place de la Concorde, subindo pela Avenue des Champs Elysées até a atual Place Charles De Gaule/de l’Etoile e suas doze avenidas em forma de estrela, contando com a própria Champs Elysées, mais as avenidas de Wagram, Mac-Mahon, Carnot, de la Grande-Armée, Foch, Victor-Hugo, Kléber, d'Iéna, Marceau, Friedland e Hoche, e ainda os Parques como Bois de Boulogne e Bois de Vincennes.

Isso tudo sem falar no que foi feito antes e depois: a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Obelisco de Luxor, as Catedrais de Notre Dame e Sacre Couer, o Beaubourg, o Panthéon, o Hôtel des Invalides, a Conciergerie, as Igrejas como Madeleine, St.-Chapelle, St.-Germain-des-Prés, St.-Sulpice, o Hôtel de Cluny, os Palácios do Louvre, de Luxembourg, as Praças Vendôme e des Vosges...

Então, como uma cidade deve sua beleza a Deus, e a outra, ao Homem, sinto-me livre para amar as duas, cada uma ao seu jeito único, peculiar.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

La Chambre d'Isabella












Com estréia prevista para o dia 17 de julho, ficando em cartaz até o dia 4 de agosto, a peça musical “La Chambre d'Isabella”, criado em 2004 em Avignon, este coral é um espetáculo de pura emoção e magia.

A história, narrada por uma velha senhora - a fantástica Viviane De Muynck - é ficção e, no palco, no meio de uma multidão de personagens, conseguimos avistar a bagagem de um viajante que é, na realidade, objetos etnográficos colecionados pelo de Jan Lauwers, autor e diretor da Need Company, que apresenta a peça.

Veja aqui mais informações sobre a companhia e a peça: http://www.needcompany.org/cgi-bin/www_edit/projects/nc/scripts/nc.cgi?a=v&id=ISABE&t=FR


Veja aqui um vídeo da peça: http://www.youtube.com/watch?v=kTSKCNxRMLY

106, Rue Brancion
15ème arrondissement
Telefone 01 56 08 33 88

terça-feira, 10 de julho de 2012

Le Terroir Parisien, de Yannick Alléno

O mais novo restaurante do afamado Chef Yannick Alléno é um bistrôt que apresenta pequenos pratos tipicamente parisienses que são degustados em um ambiente projetado pelo designer Jean-Michel Wilmotte.

Aberto todos os dias, do café da manhã até o jantar e aos domingos oferece um brunch especial e, ao chegar, procure ficar no bar, ou melhor, se estiver um tempo bonito, seja dia ou noite, no terraço.

No Terroir Parisien o Chef queria prestar uma homenagem à sua terra natal, a Região de Île de France – em torno de Paris – com seus produtos e pratos típicos e, segundo ele, "Como toda a filosofia é a filha de seu século, narra também a sua cozinha de seu tempo. Hoje, eu quero que minha cozinha me permita encontrar as mais belas criações da gastronomia parisiense, completamente redesenhada e recriando o gosto deste novo século. Minha cozinha é como a minha cidade e a minha cidade é Paris."

20, Rue Saint-Victor
5ème arrondissement
Telefone 01 44 31 54 54
reservations@bistrot-terroirparisien.fr
www.bistrot-terroirparisien.fr













segunda-feira, 9 de julho de 2012

A sede da UNESCO revisitada

Se você gosta de história, arquitetura e de arte, não deixe de visitar a sede da UNESCO, que é considerado como o edifício mais internacional de Paris e cuja construção mobilizou os grandes arquitetos e artistas do pós-guerra.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi constituída ao final de 1945, sobre as cinzas da Segunda Guerra Mundial, a partir do princípio que "se as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz".

Contando hoje com 195 Estados Membros e 8 Estados Associados, o seu objetivo é o de contribuir para a paz e segurança no mundo através da educação, da ciência, da cultura e da comunicação e acredito que a escolha de Paris, feita em 1946, foi acertada por conta de sua tradição nestas quatro áreas.

Após uma breve passagem pela Avenue Kléber, a sede é instalada frente ao Champ-de-Mars e à Tour Eiffel, na Place de Fontenoy e seu edifício sede acabou sendo construído em 1958.

O complexo, projetado pelos arquitetos Marcel Breuer, Bernard Zehrfuss e Pier Luigi Nerv e constituem um exemplo da arquitetura contemporânea em Paris e é composto por quatro construções.

O primeiro edifício trás um marcante plano em "Y", que promove uma laje que se curva, proporcionando mais janelas aos escritórios e uma leveza: nos seus jardins e corredores encontramos muitas obras de arte de artistas como Miró, Picasso, Giacometti, Erik Reitzel e Calder e nos seus oito andares estão abrigados 800 escritórios do secretariado, uma biblioteca, coleções filatélicas e numismáticas.

O segundo edifício, com formato “em acordeão”, abriga a grande sala onde são realizadas as sessões plenárias da Assembleia Geral e seu terceiro edifício, em forma de “cubo”, abriga cinco andares com escritórios.

Já seu quarto edifício tem dois andares com escritórios no subsolo iluminados por uma série de seis pequenos pátios e seu conjunto dá para uma esplanada com uma linda relva verde e uma escultura de Henry Moore, a “Silhueta em Repouso”.

Em 1995, para celebrar os seus 50 anos, o arquiteto japonês Tadao Ando concebeu o Espaço da Meditação : uma torre cilíndrica com o solo revestido com granito vindo de Hiroshima e bem próximo fica o Jardim da Paz, criado por Isamu Noguchi.

Todas essas obras podem ser vistas pelo público mas, por óbvias razões de segurança, a entrada não é franqueada e as visitas guiadas gratuitas, têm que ser solicitadas e agendadas antecipadamente.

UNESCO
7, Place de Fontenoy, 7ème arrondissement
Telefone: 01.45.68.00.00
Pedidos de visitação através do e-mail: visites@unesco.org
Horários de visitação: segunda a sexta, das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00
www.unesco.org









domingo, 8 de julho de 2012

A arquitetura de Paris além de Haussmann

Todos os sábados pela manhã, até o dia 28 de julho, a Architecture de Collection – uma corretora de imóveis especializada na vendas de bens notáveis – oferece passeios especiais para quem quer aprender mais da arquitetura de Paris, além do Barão Haussmann.

Através de dez circuitos - desde a arquitetura moderna de casas dos anos 1930 em Boulogne-Billancourt até às realizações contemporâneas da ZAC Seine Rive Gauche passando pela arquitetura contrastada do 13ème arrondissement , descobrimos um novo olhar sobre o patrimônio arquitetônico da capital francesa.
  • Circuito 1: Boulogne-Billancourt, incuindo o apartamento e o estúdio de Le Corbusier
  • Circuito 2: estúdios de artistas e vilas do 14ème arrondissement
  • Circuito 3: a arquitetura moderna no 16ème arrondissement com visita à Villa La Roche, de Le Corbusier
  • Circuito 4: a arquitetura contemporânea da ZAC Seine Rive Gauche do 13ème arrondissement
  • Circuito 5: arquitetura do Século XX em torno do Boulevard Raspail
  • Circuito 6: a arquitetura contemporânea da ZAC Paris Bercy do 12ème arrondissement
  • Circuito 7: os ateliers de artistas no 18ème arrondissement
  • Circuito 8: as passagens cobertas de Paris
  • Circuito 9: as praças reais
  • Circuito 10: os contastes da arquitetura do 13ème arrondissement em torno de Olympiades
Informações e inscrições:
Telefone: 01 53 00 97 44