terça-feira, 3 de junho de 2014

França paga para quem for trabalhar de bicicleta



Depois da invenção do vale-transporte, do vale-refeição, do vale-férias, do auxílio-aluguel e do auxílio-maternidade, entre outros muitos, chegou a vez da França criar o vale-bicicleta.

Segundo blog do jornal “Le Monde”, a cada quilômetro rodado de bicicleta no trajeto entre casa e trabalho vão significar € 0,25 no bolso de quem trabalha na França. O Ministério de Transportes da França anunciou nesta segunda-feira um projeto-piloto com cerca de 20 empresas e algo em torno de dez mil trabalhadores como alternativa para melhorar a mobilidade urbana. O programa é experimental, com duração de seis meses, e foi chamado de “indenização quilométrica”.

— Espero que a bicicleta se transforme em um modo de locomoção para todas a parte. Nós incentivamos que uma iniciativa dinâmica e ecológica para este modo de transporte — disse o ministro de Transportes, Frédéric Cuvillier, no informe de imprensa do ministério divulgado nesta segunda-feira.

A ideia é que o aumento do uso das bicicletas possa colaborar para melhorar o trânsito do país, além de reduzir a poluição. Pelas regras, o trabalhador não pode acumular o subsídio do uso da bicicleta com o do transporte público. Mas pode usar a bicicleta como meio complementar de transporte, como junto com o trem ou metrô.

As empresas que participam da iniciativa são voluntárias e ficarão encarregadas do pagamento dessa indenização quilométrica. Um trajeto de seis quilômetros entre o domicílio e o trabalho, que somará 12 quilômetros por dia considerando ida e volta, pode representar um ganho de € 60 por mês se forem 20 dias úteis de trabalho.

Muitas das empresas são de pequeno porte, mas há companhias grandes, como o grupo de seguros MMA, com 6.400 funcionários, e a Caixa de Depósitos da Normandia, com 1.950 trabalhadores.

Segundo o ministério, o resultado da iniciativa será divulgado no fim do ano e avaliado para uma segunda fase do projeto.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Monumenta 2014 no Grand Palais



Depois de Richard Serra, Anselm Kiefer, Christian Boltanski, Anish Kapoor e Daniel Buren, chegou a vez dos russos Ilya e Emilia Kabakov ocuparem a grande nave do Grand Palais até o dia 22 de junho com sua "Estranha Cidade" durante a Monumenta – assim chamada porque os artistas convidados têm como desafio ocupar todo o seu espaço com uma única e monumental obra de arte.

O pintor e escultor Ilya Kabakov e sua esposa e colaboradora Emilia formam uma dupla reputada mundialmente por suas instalações espetaculares: - "Pedimos que abrande sua vida movimentada e escute suas emoções, sentidos e lembranças", declara o casal russo.

"A Estranha Cidade" é a continuidade de uma obra que representa os ideais do homem e suas realizações por vezes perigosa onde, penetrando em um labirinto surpreendente, os visitantes atravessam um espaço fechado circular duplo, antes de descobrir uma cúpula luminosa e um misterioso museu vazio.

Mais alguns passos e um "centro da energia cósmica" abre suas portas, enquanto duas capelas, uma sombria e a outra branca, proporcionam sensações paradoxais enquanto telas e instalações de Ilya podem ser contempladas.

Grand Palais
Fechado as terças-feiras
3, Avenue du Général-Eisenhower
8ème arrondissement
Telefone: 01 44 13 17 17
www.grandpalais.fr

domingo, 1 de junho de 2014

Há 68 anos os franceses fundaram a República Independente da Cochinchina




Há exatos 68 anos, em 1º de junho de 1946, a França fundou a República Independente da Cochinchina que acabou por ser dissolvida em 1949 e, em seu lugar, foi instalada a República do Vietnã do Sul, também pela França.

Os franceses chegaram à Península da Indochina em 1858, mas nunca conseguiram controlar mais que o sul do Vietnã, a Cochinchina, o "celeiro de arroz" do Sudeste Asiático, no delta do rio Mekong. Em 1874, a França estabeleceu dois protetorados na região: Anã, no centro, e Tonquin, no norte. Finalmente, em 1887, foi formada a União da Indochina, que reuniu sob o jugo colonial francês Anã, Tonquin, Cochinchina e Camboja.

Os franceses obtiveram grandes lucros com a exploração da borracha, do arroz e da madeira. Em 1940, a Indochina foi ocupada pelos japoneses. Com a retirada do Japão após a Segunda Guerra Mundial, os franceses reocuparam a península.

O Alto Comissário Francês para a Indochina, almirante George Thierry d’Argenlieu, formulou com as seguintes palavras os objetivos da política colonial da França: "Precisamos assegurar a manutenção e ampliação de nossa influência e de nossos interesses econômicos, bem como garantir a proteção das minorias étnicas. Além disso, temos de nos preocupar com nossas bases estratégicas e a defesa da união francesa".

EUA negaram ajuda

Como fizera nas batalhas contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial, Paris pediu, sem sucesso, o apoio dos Estados Unidos. No entanto, a política de Roosevelt e, mais tarde, a de Truman, foram claramente anticolonialistas e ambos negaram a ajuda.

As reservas de Washington em relação à França levaram o líder dos povos do norte e do centro do Vietnã, Ho Chi Minh, por sua vez, a depositar suas esperanças nos EUA. Ele disse ao oficial do serviço secreto norte-americano, major Archimedes Patti, que os vietnamitas nunca entrariam em guerra contra os EUA, "um país que eles amam".

Interessados em ter a França como forte aliada na Europa, os norte-americanos também negaram ajuda aos vietnamitas. A ordem de Roosevelt e Truman era não tomar partido na questão da Indochina. Ho Chi Minh não obteve sequer o desejado apoio moral dos EUA. Ignorada pelos norte-americanos, a Liga pela Independência (Vietminh), criada em 1939, no entanto, acabou sendo apoiada pela China.

O Vietminh passou a combater o expansionismo francês em direção a Hanói e a exigir a independência da República da Cochinchina. O objetivo era livrar a Indochina da ocupação francesa. O almirante d’Argenlieu reagiu, dizendo que a França não tinha a intenção de conceder a independência total aos povos da Indochina. "Isso seria uma perigosa quimera em relação aos interesses de ambos os partidos", declarou.Nova estratégia de Paris

A fundação da Cochinchina em 1946 marcou o início da primeira guerra na Indochina. Paris, no entanto, viu logo que não se tratava de um país "independente" e adotou uma nova estratégia: a 23 de abril de 1949, novamente dissolveu a República Independente da Cochinchina e instalou em seu lugar a República do Vietnã do Sul. O Vietminh não reconheceu esse Estado fantoche dos franceses e a guerra continuou até a derrota francesa em Diem Bien Phu, em maio de 1954.

O cenário do conflito colonial francês virou, então, palco da Guerra Fria do "ocidente livre" (os EUA) contra "as forças das trevas e do comunismo" (o Vietcong). Os norte-americanos fariam a mesma experiência amarga dos franceses: não tiverem meios – nem mesmo militares – de conter o movimento pela independência dos povos da Indochina. Em 1975, derrotados, os EUA foram obrigados a se retirar do Vietnã.

O dia 1º de junho de 1946, data da fundação da República Independente da Cochinchina pela França, foi um marco histórico do fim da política colonialista do século 19. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o império francês virou uma página da história.

Com informações da Deutsche Welle.

sábado, 31 de maio de 2014

Le Meurice, do estrelado Chef Alain Ducasse é o segundo restaurante mais caro do mundo

O repórter Bruno Agostini, de O Globo, publicou hoje (31), uma excelente reportagem sobre o restaurante Le Meurice, do estrelado Chef Alain Ducasse, segue a peça:


Afrescos, lustre de cristal e queijos no salão do Le Meurice
Foto: Bruno Agostini / O Globo
Afrescos, lustre de cristal e queijos no salão. Foto: Bruno Agostini / O Globo

Em Paris, um jantar no Le Meurice, de Ducasse, o segundo restaurante mais caro do mundo

Estrelado restaurante, que ganhou destaque na lista do site especializado The Daily Meal, tem serviço impecável

PARIS - A luz do final da tarde da primavera parisiense ainda entrava pela janela, iluminando o salão do Le Meurice, de frente para o Jardin des Tuileries, e a sua decoração suntuosa, com afrescos, lustres de cristal e estuque dourado. Foi quando cheguei para jantar no restaurante mais chique do clássico hotel da Rue de Rivoli, que desde o ano passado tem o chef Alain Ducasse como maestro, e Christophe Saintagne liderando a cozinha — que não tem três estrelas Michelin à toa. Ninguém tem.

O serviço parece um balé bem coreografado, e cada um sabe a sua função específica. Os pratos não são menos que impecáveis em termos de sabor, textura, apresentação e matéria-prima. O menu degustação custa € 380 (€ 130 no almoço). A harmonização de vinhos tem preço variável (entre € 120 e € 200). Le Meurice foi eleito recentemente o segundo restaurante mais caro do mundo, atrás apenas do Kitcho, em Kioto, no Japão, por um site especializado, “The Daily Meal".

Mas nós não pagamos. Essa história começa há cerca de três anos, quando entrevistei Ducasse, de passagem pelo Rio. No finalzinho do ano passado, como se fosse um presente de Natal, recebi uma carta, assinada por ele, convidando para um jantar no restaurante, que acabara de assumir, levando para lá o seu pupilo, Saintagne, que chefiava o restaurante do Plaza Athénée, fechado para reforma até 1º de agosto.

Minha reserva estava marcada para as 20h30m. Cheguei com meia hora de antecedência vestindo jeans, camisa social e sapato. A moça que me recebia, com delicadeza, perguntou se eu poderia aceitar um paletó. A exigência não constava no site. Aceitei a oferta, e ela foi buscar a vestimenta, no meu tamanho, passada e perfumada pela lavagem recente. Em seguida, fui conduzido à mesa enfeitada com um ramo de cenouras amarradas sobre uma tábua de madeira e potinhos de cerâmica com flor de sal. O sol invadindo o salão realçava os relevos da paredes e os tons dourados da decoração. E o que se seguiu foram horas de prazer, e de surpresas. Na coreografia do serviço, a garçonete de vestido escuro e elegante traz a água, e logo o sommelier oferece uma taça de champanhe. Como negar?

— Este é o Selection Alain Ducasse Brut, feito especialmente para o chef — diz.

A minibaguete, besuntada de manteiga, salpicada de flor de sal, causa compulsão. Come-se enquanto houver. Pedi para não servirem mais. Ainda me divertia com os pães, quentinhos, estalando de crocantes e perfumados, quando chega a amuse-bouche de aparência curiosa. Conchas de ostra, vazias, abrigam uma daquelas telhas, geralmente servidas no café, de amêndoas e caramelo. Mas, no caso, a tuile era de vinagre, e envolvia uma ostra carnuda e fresca, com umas folhas de salada.

Foi um belo e saboroso prelúdio, ocorrido logo após o sommelier perguntar se eu tinha alguma restrição.

— Nenhuma, como de tudo, e não tenho alergias conhecidas — respondi.

— Já temos um menu degustação em mente, mas na realidade pergunto sobre os vinhos. O senhor tem alguma restrição a algum tipo? Não gosta de algum estilo ou região? Tem alguma coisa que goste muito? Fale-me de suas preferências — replicou.

— Gosto de provar coisas novas. Mas adoro a Borgonha, e também sou fã dos vinhos do Rhône. Aprecio vinhos de estilo particular, como Jura. Sou amante de vinhos malucos e originais — comentei.

Nunca tinha visto isso, um sommelier fazer um breve questionário para, a partir dele, escolher os vinhos. Logo chegou o primeiro, o Côtes de Provence Cuvée Clarendon 2011, do Domaine Gavoty, branco seco, mineral e perfumado, que envolveu o primeiro prato da noite, “légumes à la croque au sel”. Bonita composição, uma panela de ferro com uma crosta de sal grosso coberta por vários vegetais, orgânicos, naturalmente, e produzidos nas redondezas: cebola, cenoura, vagem... Uma espécie de aioli de gosto intenso, mais escuro e marinho, vinha ao lado, para acentuar o sabor.

— O que busco é a simplicidade, e a identidade original de cada ingrediente — foi uma das frases que Ducasse disse na entrevista de 2011.

O mesmo vinho acompanhou com brilhantismo a etapa seguinte, um retângulo de dourado, de carne clara, rosada e crua, servido com uma colherada de caviar e beterraba, raiz e brotinho.

Em seguida, o sommelier apresentou um belo branco do Rhône, já atendendo às minhas preferências. Era o Saint-Joseph Mairlant 2010, do Domaine François Villard, opulento, profundo e denso, vinho de pequena produção, feito 100% com a uva marsanne. Ele chegou à mesa junto ao prato de aspargos, com os vegetais instalados sobre um creme de pistache, junto a pedaços de queijo tostados.

Era a vez da Borgonha: um branco suntuoso, Chassagne-Montrachet Clos Saint-Jean 2008, de Michel Niellon. Para ele, nada menos que lagosta com “pommes de mer”: nacos do crustáceo servidos com um molho denso e muito aromático, com uma espécie de tortinha crocante de batatas que crescem junto ao mar.

O passo seguinte foi o “bar, olives, agrumes”, um robalo de pele crocante preparado em molho de frutas cítricas, com uma espécie de tapenade de azeitonas pretas, e finas lâminas de pomelo e laranja desidratados. Para acompanhar, novamente o Rhône, agora um raro Châteauneuf-du-Pape Boisrenard 2007, do Domaine Beaurenard, um branco rico e vigoroso.

Quando chegou o Nuits-Saint-Georges 1er Cru Aux Thorey 2005, do Domaine Dubanc, exuberante tinto da Borgonha, não imaginava que ele iria escoltar um dos melhores pratos de minha vida inteira, uma tortinha de ris de veau (o timo de vitela), delicado e untuoso, feito com espinafres e molho rôti, com uma saladinha verde. O prato de queijos veio a seguir, e pedi os mais fortes e fedorentos. Para eles, o Côtes du Jura Vin de Paille Château d’Arlay 1988.

Hora das sobremesas. Primeiro, tortinha de framboesas com um cabernet sauvignon doce da Alemanha (vinhos malucos, lembra?), safra 2008, do Weingut Lunzer. Depois, baba au rhum, servido com um copo do próprio. C’est fini. Se o jantar vale os cerca de R$ 1.156, fora as bebidas? Não sei. Sei que foi uma das melhores refeições da minha vida toda.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Os fascistas estão voltando à França?



Milhares de estudantes franceses se reuniram nesta quinta-feira em manifestações contra o partido de extrema direita Frente Nacional (FN), após o sucesso obtido pela sigla nas eleições europeias.

Em Paris, 4 mil estudantes saíram em passeata, com protestos menores ocorrendo ao mesmo tempo em Toulouse, Bordeaux, Nantes e do lado de fora do Parlamento europeu em Strasbourg.

Um dos manifestantes, Kevin Motillon, disse à agencia AP que "por trás da retórica anti-União Europeia [do FN], está um discurso xenófobo, de ódio e de rejeição ao outro, que parece estar desconectado da realidade no mundo atual".

A Frente Nacional venceu as eleições da semana passada, com 25% dos votos de eleitores franceses, o que lhe garantiu 24 assentos no Parlamento.

A vitória - seu maior triunfo na história - é atribuída à política de "desintoxicação" conduzida por Marine Le Pen desde que ela assumiu o comando do partido, em 2011.

Mas seus inimigos ainda não se convenceram de que a FN tornou-se uma força política normal ou aceitável.

No meio político, o FN é visto como um típico partido da visão nacionalista extrema, que se aproveita dos problemas econômicos para insuflar o ódio ao imigrante.

Depois da vitória do FN, a ministra de Finanças alemã, Wolfgang Shaube, disse que não há dúvidas que o partido é "fascista e extremista".

E, no Reino Unido, Nigel Farage, do partido UKIP, disse que nunca se aliará à Le Pen por causa do passado "sujo e antisemita" de seu partido.

IDENTIDADE MUTANTE

Como definir o FN tornou-se um assunto delicado na França.

Se alguém desconsiderar seus elementos extremistas - e falar apenas sua modernização, sua abertura crescente e seu evidente apelo a uma parcela cada vez maior do público -, esta pessoa pode acabar sendo acusada de ter comprado a propaganda do partido.

Se fizer o oposto e tratar os membros do partido como neonazistas, estará caindo na armadilha da caricatura fácil e preguiçosa.

A verdade é que a dificuldade em definir o FN vem do próprio partido, que vem mudando numa transição ainda incompleta e é inconsistente internamente, visto de formas diferentes pelos diversos grupos que o apoiam.

Além disso, a França que vota no FN é uma massa de pessoas em mutação e ainda incerta sobre seus próprios sentimentos e identidade.

Um aposentado da cidade de Rouen pode, por exemplo, conhecer e lidar com pessoas da comunidade árabe, provavelmente de forma mais intensa do que um intelectual de Paris. Mas isso não o impede de temer a "islamização" e votar na extrema direita.

Hoje, o FN tem uma agenda oficial que pode alarmar a alguns, mas que não lhe confere o título de racista e neofascista.

Sim, ele pede por controles sobre a imigração, mas a maioria dos partidos europeus faz o mesmo. O que varia é a intensidade desses pedidos.

SOMBRA DO PASSADO

O FN exige que a imigração legal seja reduzida de 200 mil pessoas para 10 mil por ano; e um fim automático à "unificação familiar"; a expulsão de imigrantes ilegais; e a supensão do Tratado de Schengen, que estabeleceu o fim dos controles de fronteira entre 26 nações da Europa.

O partido também propõe políticas de "preferência nacional" para que os franceses tenham prioridade na seleção para vagas de emprego - apesar de deixar claro que trata de franceses "de todas as origens".

São políticas duras, e obviamente é argumentos fortes contra elas. Mas não são cruéis ou fora da realidade.

O problema do FN é que, não importa o quanto ele tente agora se tornar apresentável publicamente, seu passado é onipresente. O partido não surgiu do nada. Ele é fruto da instável história política da França.

Sua origem está na direita católica e monarquista que nunca aceitou a república.

Essa parte da política francesa fez campanhas antisemitas, lutou contra os comunistas nos anos 1930, foi contra a maçonaria e os judeus, se junto ao regime colaboracionista Vichy durante a Segunda Guerra Mundial, lutou contra a independência da Algéria.

Num país ainda fixado nos horrores cometidos no século passado, essas associações comprometem a extrema direita.

Seus críticos estão corretos quando dizem que o FN tem uma contradição mal resolvida em seu cerne. O partido pode buscar sua popularização, mas suas crenças mais radicais - um retorno revolucionário aos "valores nacionais" - nunca se desfizeram por inteiro.

Le Pen sabe que estas visões ideológicas nacionalistas atraem apenas uma pequena parcela dos franceses.

Então, ela deixou isso para trás e trata de moldar seu apelo ao demonstrar uma preocupação com a realidade atual. Como consequência, mais do que a imigração, seu foco está na economia.

'FRANÇA INVISÍVEL'

Os franceses sabem que seu modelo econômico está fracassando. O pessimismo está em alta. Trabalhadores estão sem emprego. Negócios estão fechados suas portas, engolidos por taxas e regulamentações.

A resposta do FN é essencialmente a mesma da extrema direita - a Europa foi tomada por forças liberais e capitalistas.

Então, é hora da França exercer seu poder soberano e proteger quem lhe conferiu esse poder - o povo. Pelos resultados da eleição, está claro que esses argumentos ressoam profundamente.

De acordo com o geógrafo social Christophe Guilluy, há uma nova divisão nacional na França: entre os "metropolitanos" e a "periferia". Os eleitores do FN estão na "periferia".

São pessoas do campo, de cidades pequenas e dos distantes subúrbios residenciais de cidades como Paris.

Cada vez mais, aqueles que vivem nas cidades, diz Guilluy, são trabalhadores liberais e abonados e os imigrantes: duas classes que se beneficiam da globalização.

Na periferia, estão os perdedores - pessoas com renda modesta que "não estão mais integradas economicamente, socialmente e culturalmente na vida da nação". E eles formam 65% da população.

"Ao contrário do que a elite segue dizendo a eles, os franceses tem uma ideia bem clara do que aconteceu na sociedade francesa, porque eles vivenciam isso", afirma Guilluy.

"Por 30 anos, a mesma mensagem vem sendo repetida - que eles se beneficiarão com a globalização e o multiculturalismo. Mas isso não ocorre. Sua análise é racional, relevante e, acima de tudo, é a visão da maioria."

Le Pen personifica os sentimentos dessa "França invisível". Eles a vêem como uma deles.

Agora, a levaram à vitória na Europa. Mas podem levá-la mais longe, ao poder em Paris?

EM RUÍNAS

Até agora, tudo conspira para que isso seja possível.

Os socialistas nunca foram tão desprezados. As repetidas promessas do presidente François Hollande se revelaram um discurso vazio.

Ele está um pouco à esquerda, um pouco à direita, e não satisfaz a ninguém. Enquanto isso, os índices econômicos se tornam mais e mais assustadores.

O partido UMP, de centro-direita, deveria estar colhendo os frutos desta situação, mas em vez disso está se autoimplodindo. Seus líderes se odeiam, e mais um escândalo financeiro ameaça seu salvador Nicolas Sarkozy.

É como escreveu o colunista Gerard Courtois no jornal Le Monde nesta semana: "Diante da esquerda que se encontra em ruínas e do campo minado que é a direita...ser o único partido que não é associado com a administração do país é também ser o único que não está desacreditado por seus fracassos".

"Nesse clima estarrecedor, a inexperiência do FN é uma vantagem, sua virgindade, um atrativo."

Em outras palavras - não ache que as eleições europeias são o auge do FN.

Por diversas vezes, vozes experientes e sábias disseram que o FN não chegaria além de determinado ponto. Por diversas vezes, elas estavam erradas.

Com informações da BBC Brasil e da Folha Online.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Manifestação contra a extrema direita reúne milhares de jovens na França

Com lemas como "Acorda França!", "A ameaça da FN permanece" e "Não à F-Ódio", milhares de jovens participaram de uma manifestação na França contra a Frente Nacional (FN), depois da vitória histórica do partido de extrema direita de Marine Le Pen nas eleições europeias.



A maior passeata, em Paris, reuniu de 4.200 (de acordo com a polícia) a 8.000 (segundo os organizadores) estudantes, que gritavam as palavras de ordem tradicionais das manifestações contra a extrema direita, como "A juventude incomoda a Frente Nacional", "F de fascista, N de nazista" ou ainda "Primeira, segunda, terceira geração: somos todos filhos de imigrantes".

Centenas de jovens também participaram de manifestações em Lyon (centro), Toulouse (sudoeste), Estrasburgo (leste), Marselha (sul) e em outras cidades, convocados por sindicatos de estudantes, mas também por movimentos das juventudes socialista, comunista e ecologista.

A adesão a esses atos ficou bem abaixo das registradas nas manifestações gigantescas de abril de 2002, depois da chegada de Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e fundador do partido, ao segundo turno da eleição presidencial. Mas o então presidente, Jacques Chirac, foi facilmente reeleito.

Naquela época, 1,3 milhão de pessoas saíram às ruas na França, incluindo cerca de 500.000 na capital.

A Frente Nacional obteve uma votação histórica no último domingo (25) nas eleições europeias, com 25% dos votos. Cerca de 30% das pessoas com menos de 35 anos que foram às urnas votaram no partido de extrema direita, de acordo com as pesquisas.

A FN ganhou força com a crise econômica persistente na França, os altos índices de desemprego e a impopularidade recorde do presidente socialista François Hollande. O partido é contra a integração dos países europeus, a moeda única e a imigração.

Com informações da AFP e da Folha Online.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Catedral de Notre Dame e sua eterna vigília por Paris

A Catedral de Notre-Dame de Paris, construída no Século XII - em 2013 celebrou seus 850 anos - e que recebe 14 milhões de pessoas por ano não tem descanso em sua eterna vigília pela Cidade Luz e pela França e, como se isso não bastasse, guarda no seu interior diversos tesouros e segredos.

Clique aqui e assista um pequeno vídeo sobre a Catedral de Notre-Dame de Paris.

A catedral tem dez sinos em funcionamento

Um de seus famosos gárgulas

Seu órgão é o mais importante da França e tem cinco teclados

Para admirar essa paisagem temos que subir 91m por uma escada minúscula