segunda-feira, 7 de julho de 2014

Galvão, je t’aime


















Deixei para escrever hoje – já perto das semi-finais da Copa do Mundo no Brasil para deixar claro realmente entendo quase nada de futebol e que torço no dia-a-dia, em proporções iguais, para o Flamengo e para o Botafogo – mas não necessariamente nesta ordem.

Melhor explicar essa minha relação adúltera com os dois times cariocas.

Tive um irmão, Aroldo – infelizmente falecido precocemente aos 33 anos em 1985 – que era flamenguista doente, daqueles que sabiam a escalação de todos os times, de todos os anos e de todos os campeonatos e que, além disso era amigo de jogadores do time, como do Doval, um atacante argentino que chegou ao Flamengo em 1969, a ponto de saírem de noite juntos e de tomar café da manhã em um bar da Rua Dias da Rocha – onde morávamos – quase todos os dias.

Esse tipo de farra fez com que ele deixasse o clube em 1971 mas, voltando ao Aroldo, o ponto era simples: eu detestava futebol e ele me forçava a ser Flamengo, senão me dava uns cascudos.

De outra parte, meu primo Ricardo, descendente de uma linhagem de botafoguenses ilustres, e que morava com minha avó Marta (seus pais moravam em SP) a quem eu sempre ia visitar em seu apartamento na Praia do Flamengo.

Muitas vezes chegava lá e o Ricardo, antigamente bem maior (era 8 anos mais velho) do que eu, estava jogando futebol de botões com outros primos como o Marquito ou mesmo com seu pai, Fernando, que vinha visitá-lo e quando perguntavam meu time e eu respondia Flamengo, era uma chuva de cascudos.

Então com o passar do tempo e dos cascudos do Aroldo e os do Ricardo, fui aprendendo a gostar dos dois times e, hoje em dia morando na França, olho para traz com muita saudade.

Mas voltando ao Galvão, essa já é minha segunda Copa do Mundo em solo francês e, como na de 2010, ainda me surpreendo com a locução sem vibração e com os comentários mornos da equipe de comentaristas da TF1, emissora que retransmite os jogos por estas bandas.

É um verdadeiro pesadelo: os caras torcem contra, não param de falar mal da Seleção e do Felipão (que insistem em chamar de “selesal” e "Filipal" por conta do sotaque) mais o pior é que a narração tem a emoção de um documentário sobre a avassaladora agilidade de uma preguiça à beira de sua morte.

No último jogo, para piorar, em vez de ficar em casa como todos os meus sentidos diziam, fui a pé até um bar – que graças ao bom Deus era perto de minha casa – bem próximo, no boulevard Henri IV, onde se prometia ambiência brasileira, com petiscos e bebidas brasileiras (meu interesse era guaraná, é claro).

Imaginar que atravessei duas pontes e uma nesga da Île de Saint Louis para ir ao tal bar me deixa até agora embrulhado – o local era um misto de Clipper no Leblon - mas sem o seu charme, com o barulho e o aperto do antigo Mosca, nas proximidades da antiga Faculdade da Cidade, na Lagoa.

Encontrei com cinco ou seis gatos pingados que já conhecia e outros tantos que nunca tinha visto mais barulhentos e, quando a moça do meu lado começou a pedir o Galvão de volta, pensei, ela tem razão, vou correr para casa, colocar na Globo.com e ouvir a narração em português, pelo menos.

Cheguei em menos de minutos, coloquei na Globo.com e esperei carregar e nada: o vídeo não pode ser exibido fora do território brasileiro. Nesta hora, como em um surto psicótico, disse para minha mulher: estou com saudades do Galvão Bueno, definitivamente, quero o Galvão de volta na minha vida, ainda não sei bem como, mas quero.

domingo, 6 de julho de 2014

Há 68 anos o "biquíni" desfilava em Paris



Em 6 de julho de 1946, Micheline Bernardini, uma dançarina do Casino de Paris e modelo, foi escolhida por Louis Réard para desfilar na Piscine Molitor, em Paris a peça que revolucionou o guarda-roupa de banho: um biquíni de algodão, com estampa reproduzindo um jornal.

Dois pequenos pedaços de pano revolucionaram as piscinas e praias no final da década de 40 do século passado. O costureiro francês Louis Réard deu a elas o nome de biquíni, mas a invenção não tinha sido sua.

O maiô de duas peças já havia sido experimentado por algumas garotas anos antes. Uma delas foi a alemã Käthe Hemme: "A gente o chamava de traje de banho de duas peças. Era impressionante como os rapazes olhavam para a gente quando aparecíamos na piscina! Ao descobrirmos que ele chamava a atenção, fomos em frente..."

Meados da década de 1940. Tempos difíceis na Alemanha do pós-guerra. Não havia dinheiro, nem variedade nas lojas. A solução era usar a criatividade. As garotas sentavam-se à máquina de costura e, com pouco pano, costuravam suas peças.

O essencial era que o biquíni caísse bem. Para isso, cortavam casacos e vestidos de malha, de tecido flexível. No grupo de amigas de Käthe, em pouco tempo, não havia mais ninguém com maiô inteiro.

Homenagem ao atol no Pacífico

Claro que, em grupo, a coragem de mostrar o umbigo era maior. As alemãs, no entanto, não ousavam mostrar tanto quanto Réard. Seu duas-peças foi uma verdadeira revolução pelo tamanho diminuto. O costureiro francês garantiu que, ao criar o nome, pensou apenas no lado romântico do famoso atol no Oceano Pacífico. Verdade é que praticamente coincidiu com o controvertido teste nuclear naquela região, que havia acontecido pouco antes.

A opinião pública ainda estava aturdida com o poder de destruição da bomba, quando Réard chocou com seus minúsculos triângulos de pano, cujas partes de cima mal cobriam os mamilos e a de baixo mais parecia uma tanga. A dançarina de clube noturno Micheline Bernardini apresentou a novidade na passarela, pois nenhuma manequim se dispôs a desfilar a nova peça.

Com informações da Deutsche Welle.

sábado, 5 de julho de 2014

Há 159 anos o Bouffes Parisiens era inaugurado



No dia 5 de julho de 1855, Jacques Offenbach, alemão da cidade de Colônia compôs as melodias que se tornariam o símbolo da elegância francesa: Jakob (mais tarde chamado de Jacques), deixou sua cidade com 14 anos para estudar música em Paris.

Seu sonho era ser compositor, mas o êxito chegou primeiro por outros caminhos quando inaugurou na Avenue des Champs Elysées a casa de espetáculos "Bouffes Parisiens" (Comédias Parisienses).

O escritor Peter Hawig, diretor do Festival de Offenbach em Bad Ems, conta: "Em 1855, Offenbach era um prestigiado solista de violoncelo nos salões de Paris. E, desde 1850, dirigia a orquestra do Théâtre Français, isto é, do teatro mais importante da França, o qual possuía uma pequena orquestra. Por outro lado, ele não se apresentara como compositor de obras musicais para o palco, sendo assim um novato nesse setor".

Teatro próprio

Nenhum dos teatros tradicionais de Paris queria apresentar as composições de Offenbach. Assim, ele decidiu resolver pessoalmente a questão: abriu um teatro próprio, para o que contou com o apoio das suas colegas do Théâtre Français.

A maioria delas tinha relacionamento íntimo com algum funcionário público de alto escalão. Dessa forma, Offenbach conseguiu a sua concessão através de "pistolões". No dia 5 de julho de 1855, ele inaugurava nos Champs-Elysées a sua casa de espetáculos, denominada "Bouffes Parisiens" (Comédias Parisienses).

A moda em Paris, à época do imperador Napoleão 3º, eram as peças musicais de um único ato. O público era de nível simples e desejava divertir-se. Quanto mais vigoroso o enredo, quanto mais marcantes as melodias e quanto mais curtos os diálogos, tanto maior o êxito das peças.

Peter Hawig: "Offenbach adotou esse tipo de peça, mas a transportou para outro ambiente. Seu público era mais elegante, de melhor situação. Entre os espectadores das suas peças, havia um número maior de homens casados. Os solteiros frequentavam teatro não por causa da música, mas sim em busca de casos amorosos".

Ponto de encontro

Offenbach inaugurou o teatro Bouffes Parisiens com a peça Os Dois Cegos, de um ato. E criou com isso o sucesso da temporada. Durante a exposição mundial de Paris, o "Bouffes" tornou-se o ponto de encontro da moda para os visitantes franceses e estrangeiros. Jacques Offenbach virou um astro, cuja marca registrada eram as melodias açucaradas, mas com textos mordazes.

Peter Hawig: "Politicamente, Offenbach era tido como ingênuo. Mas eu o considero politicamente muito sensível, capaz de tratar de questões que mereciam crítica – da nobreza, dos militares e até da corte imperial –, que apareciam já nas suas primeiras peças, naturalmente disfarçadas sob formas exóticas".

Luxo excessivo

Por exemplo: Jacques Offenbach inaugurou a casa de inverno do Bouffes Parisiens com a peça Bataclan, de um ato. Era uma comédia sobre uma imaginária corte imperial asiática, inteiramente esclerosada. Todos sabiam que ele se referia, na verdade, às Tulherias.

Peter Hawig: "Como empresário teatral, Offenbach não obteve êxito durante toda a sua vida. Por isso, ele deixou a direção do Bouffes Parisiens menos de sete anos depois da sua fundação. Por volta de 1874, ele dirigiu outro teatro por pouco tempo, mas sempre sem grande êxito econômico. É que Offenbach tendia a dotar seus teatros com luxo excessivo".

Há muito, Jacques Offenbach não dependia do êxito econômico como diretor de teatro. Peças como A Vida Parisiense, A Bela Helena ou Orfeu no Inferno já lhe tinham garantido um lugar no Olimpo dos grandes compositores. E mesmo que sua obra final e mais madura, Os Contos de Hoffmann, tenha sido uma grande ópera, Jacques Offenbach entrou para a história da música como o criador de um novo gênero, cujo nome ele próprio inventou: a opereta.

Continuidade

O Bouffes Parisiens continua até hoje no número 4 da Rue de Monsigny, no 2ème arrondissement de Paris, França - veja a qui seu website: www.bouffesparisiens.com

Com informações da Deutsche Welle.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Who's Next traz a Turquia para a moda de Paris



Começou hoje (4) e vai até a próxima segunda-feira (7), a segunda edição da feira de negócios de moda Who's Next em 2014 (a primeira foi em janeiro).

Desde 2012, quando as feiras de moda francesas passaram por uma revolução logo depois que a WSN Développement, organizadora da própria Who's Next e de outras feiras como Première Classe and Mess Around (anteriormente da Sodes) vendeu 50% de sua empresa para a Comexposium, organizadora da Prêt-à-Porter Paris.

A partir desse momento partiram para o ataque, produzindo todas as feiras ao mesmo tempo, na mesma época, o que fez com que as ofertas – antes em datas concorrentes e dispersas – fiquem disponíveis para que os 58.000 comparadores de todo o mundo tenham uma maior facilidade de acesso e comparação, o que deixa os mais de 2,1 mil expositores com sorrisos largos.

Esta mega feira de negócios de moda ocupa hoje todos os segmentos do setor, como feminino, masculino, infantil, acessórios, calçados e moda jovem espalhados um uma área de mais de 100.000m2 nos halls 2, 3, 4 e 7 e vai contar com uma nova nomenclatura, “Who's Next, subtitulada Prêt-à-Porter Paris” e ainda quatro áreas distintas: Fame, Ready-toWear, Première Classe e Accessories.

Parc des Expositions de la Porte de Versailles
1 place de la Porte de Versailles
15ème arrondissement
www.whosnext.com

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Disneyland Paris inaugura área dedicada à Ratatouille

Apresentação da nova área da Disney francesa à imprensa

A Disneyland Paris inaugurará no próximo dia 10 de julho a sua nova área dedicada ao filme "Ratatouille", lançado sete anos atrás e em cuja as atrações investiu € 200 milhões.

O ponto que deve atrair mais atenção é o "Ratatouille: L'Attraction", simulador que propõe um tour pela cozinha do restaurante Gusteau's: a ideia é se sentir como o ratinho Rémy –o carro do simulador, em forma de rato, passa por "peixes" com 7,5 metros de altura, e o ambiente esfria quando os visitantes "entram" na geladeira.

No parque, a área também conta com ruas e praças inspiradas na Paris do desenho animado e com o bistrô Chez Rémy, que será aberto ao público –e terá o prato que dá nome ao filme como acompanhamento do único prato.

77777 Marne-la-Vallée
França
Telefone: 08 25 30 05 00
www.disneylandparis.fr

quarta-feira, 2 de julho de 2014

França tem antipatia aos turistas - será mesmo?



Segundo informações do Financial Times e da Folha Online, a França tenta se livrar da (má) fama de que país é antipático com turistas.

Na fila para subir a torre Eiffel com o marido e os dois filhos, Monica Krishan, de Déli, fala um pouco sobre ser uma turista estrangeira em Paris. "Acabamos de vir de Barcelona e Madri. Falando sem rodeios, as pessoas de lá são muito mais amigáveis que na França. Na Espanha, eles talvez falem menos inglês do que aqui, mas lá eles realmente tentam ", diz.

"Ontem, ao sairmos do nosso hotel à procura do metrô, pegamos uma saída errada e pedimos a ajuda de alguém. A pessoa só nos olhou e disse: 'No English'."

A França há muito sofre de má reputação por receber seus visitantes de forma mal-humorada -exemplos são os garçons arrogantes em cafés de Paris e as frequentes greves do serviço público.

Turismo em Paris

Há até mesmo um reconhecido distúrbio psicológico chamado de "síndrome de Paris", que aflige alguns turistas, principalmente os japoneses, que ficam chocados com o jeito abrupto dos anfitriões franceses.

Contra essa "síndrome" e procurando desesperadamente maneiras de injetar vida nova na economia enfraquecida, a França está lançando um plano para transformar a indústria do turismo –sobretudo, abordando a questão de tratar os turistas com um pouco mais de graça.

"Se há uma questão com a qual temos de lidar é para mudar a mentalidade dos franceses, que veem o serviço como servidão", disse Jean-François Rial, chefe de Voyageurs du Monde, agência de viagens, durante uma conferência organizada pelo governo na semana passada para lançar um programa. "Somos muito ruins em serviço na França", completou.

Ministros admitem que parte do problema foi que a França, abençoada com o esplendor de Paris, a Côte d'Azur e os Alpes, tende a acreditar que o turismo está garantido.

O país atrai o maior número de visitantes estrangeiros por ano no mundo, tendo atraído 83 milhões visitantes em 2012, de acordo com a organização do turismo mundial da ONU.

Tal indústria responde por mais de 7% da renda nacional, cerca de 2 milhões de empregos e contribui com € 12 bilhões (R$ 36 bilhões) por ano para a balança de pagamentos. Mas, apesar de ter 20 milhões de turistas a mais que a Espanha, a França ganha menos com o turismo estrangeiro por ano.

O plano inclui medidas para melhorar o setor hoteleiro, facilitar o processo de visto para os visitantes e construir uma ligação ferroviária expressa de Paris para o principal aeroporto da cidade.O objetivo do governo é mudar esse cenário, aumentando o número de visitantes para 100 milhões por ano. Fleur Pellerin, ministra de Comércio Exterior e Turismo, disse que o país poderia criar 500 mil novos postos de trabalho se capturar 5% do 1 bilhão de turistas que devem viajar pelo mundo todo em 2013. "É um grande desafio econômico", afirmou.

Há ainda movimentos para combater o alto nível de crimes contra turistas em Paris e para melhorar a qualidade dos serviços de internet para os turistas que planejam passar as férias na França.

Simpatia

"Quanto ao serviço, não é algo que pode ser corrigido por decreto. É um grande problema, que abrange a língua, mas também a simpatia."Entretanto, uma grande parte do esforço será melhorar a qualidade do serviço –inclusive em restaurantes. "É muito sintomático. As pessoas têm uma visão da cozinha francesa. Elas esperam que a sua experiência gastronômica seja boa, mas, às vezes não é ", disse Pellerin.

Segundo Pellerin, é preciso trabalhar nessa questão por meio da formação e da construção da autoestima das pessoas que trabalham com os turistas.

Tudo ótimo

Mas nem todos os turistas se queixam. Na mesma torre Eiffel, Liaw Chuewei, de Cingapura, diz que ela e seu grupo de seis irmãos e amigos, visitando a França depois de uma viagem a Amsterdã e Bruxelas, gostaram mais de Paris. "Nós ouvimos dizer que as pessoas podem ser hostis aqui, mas, em geral, elas têm sido bastante gentis."

Takeshi Yoshikawa, de Tóquio, na capital francesa com um amigo, concorda: "Nós estamos nos divertindo. Nos restaurantes, o serviço foi bom. O nosso hotel é bom, também". Nenhum sinal da "síndrome de Paris".

terça-feira, 1 de julho de 2014

Piscine Molitor reabre como clube e hotel de luxo

A antiga piscina tomada por grafite: durante três décadas, prédio era invadido por artistas de rua Foto: Thomas Jorion

Luiza Barros, publicou no Caderno Ela Online, do jornal O Globo, uma excelente história sobre o projeto de renovação da Piscine Molitor - no 16ème, fundada em 1929, foi onde o biquíni foi apresentado pela primeira vez - e do prédio ao seu redor. Segue a peça:

"O carioca que se prepara para curtir as férias na capital francesa talvez não pense que valha a pena acrescentar uma roupa de banho na mala. Porém, para quem já está de passagem comprada, talvez seja melhor rever a decisão. Recém-inaugurado, o Molitor, no 16ème, é a nova joia a ser descoberta na cidade-luz. Misto de clube e hotel cinco estrelas, o empreendimento marca uma nova fase na vida do local histórico, que abrigava uma famosa piscina pública em art déco e estava fechado desde 1989, à espera de um projeto que pudesse trazer de volta o brilho dos tempos de ouro da construção.

Agora, o hotel e clube, que ainda conta com um spa da Clarins, promete ser o ponto de encontro entre os parisienses endinheirados que vivem no tranquilo bairro de Auteuil, próximo ao Bois de Boulogne, e entre turistas que buscam uma experiência nova na mais visitada de todas as cidades.

— O Molitor precisava recuperar a sua população parisiense, ao mesmo tempo em que atende a turistas que buscam algo original, fora do comum — diz Vincent Mézard, diretor-geral do hotel, que trabalhou por três anos no projeto de recuperação do Molitor antes de assumir as rédeas do estabelecimento.

Um passeio por lá realmente comprova que este não é um lugar que chame a atenção apenas dos turistas. Nas mesas do restaurante (cujo menu é assinado pelo chef Yannick Alléno, três vezes agraciado com a estrela Michelin), ou no aprazível terraço com vista para a Torre Eiffel, é sobretudo o francês que se escuta. O interesse dos locais se explica devido à história do prédio, que entrou para a memória afetiva de mais de uma geração como lugar de encontros, namoricos e divertimento.

Inaugurada em 1929, a Piscina Molitor surgiu da mente de um investidor local que buscava usufruir do potencial da região para a prática esportiva — apenas um ano antes, o estádio de Roland Garros, hoje palco de uma das mais importantes competições do tênis, fora construído num terreno próximo. Para dar o primeiro mergulho na piscina, foram convidados dois campeões olímpicos: Aileen Riggin e Johnny Weissmuller, o último também conhecido mais tarde por encarnar Tarzan em uma infinidade de filmes das décadas de 1930 e 1940.

Nos anos seguintes, o local, com sua lendária fachada amarela e azul, seria o destino favorito da juventude de classe média alta de Paris e redondezas, seja no verão ou no inverno, quando a piscina se transformava em pista de patinação. A popularidade do local conseguiu mesmo resistir ao terror da Segunda Guerra Mundial: o Molitor teve o seu momento mais memorável imediatamente após o conflito, em 1946, quando o engenheiro de carros transformado em estilista Louis Reárd apresentou ao mundo o que seria a sua maior invenção: o biquíni.

— Nenhuma modelo aceitou vestir a peça, então ele teve que convidar Micheline Bernadini, que era uma dançarina do Cassino de Paris — explica Mézard, que detalha as dificuldades para resgatar a história do local.

— O prédio estava em um estado péssimo demais para poder ser aproveitado, e tivemos que derrubá-lo e construir tudo do zero. O desafio foi ser fiel ao que Lucien Pollet (o arquiteto responsável pelo projeto de 1929) havia idealizado, mas também adequando-o às novas necessidades do hotel.

Mesmo em seu tempo de abandono, o Molitor não deixou de ser frequentado. Ao ver a decadência do seu negócio, o investidor privado que administrava a piscina a devolveu ao poder público em 1989. A decisão do Ministério da Cultura francês de tombar o prédio, no entanto, impediu sua demolição. Enquanto políticos brigavam sobre qual seria o destino ideal do prédio, grafiteiros o invadiam. Em pouco tempo, o Molitor tornou-se uma espécie de templo da arte de rua, completamente tomado pelas cores urbanas do grafite. Festinhas ilegais se tornaram comuns por lá, até que investidores da Capital Colony e da gigante hoteleira Accor ganharam o direito de explorar o local, sob a condição de que arcassem completamente com a sua reconstrução. Os preços para conferir o resultado: a diária custa, em média, €300; a anuidade do clube, €3.300, e quem quiser dar um mergulho sem compromisso na piscina deve desembolsar €180. Seja como for, o fato é que a nova fase do Molitor promete render boas e novas histórias."


Espreguiçadeiras na piscina externa Foto: Divulgação

A piscina de inverno, aquecida e fechada Foto: Divulgação

Restaurante do Hotel, que conta com menu criado por Yannick Alléno, três vezes agraciado com a estrela Michelin Foto: Divulgação

Quarto do hotel: street art foi mantida como referência na decoração Foto: Divulgação

Quarto com vista para a piscina Foto: Divulgação