quarta-feira, 7 de maio de 2014

Christie's leiloa Monet por 27 milhões de dólares



O quadro "Nympheas", do pintor impressionista francês Claude Monet, foi arrematado por mais de 27 milhões de dólares nesta terça-feira (6) na Christie's, na abertura da temporada de leilões de arte de primavera em Nova York.

A obra, pintada em 1907, foi uma das obras mais destacadas da noite dedicada à arte impressionista e moderna, e recebeu exatamente 27,045 milhões de dólares, dentro da estimativa de entre 25 e 35 milhões.

Monet também estará presente no leilão da Sotheby's hoje, com três pinturas, incluindo "Le pont japonais", avaliada em entre 12 e 18 milhões de dólares.


terça-feira, 6 de maio de 2014

O melhor do Modernismo na Provence

A Região de Provence, no Sul da França inspirou artistas como Le Corbusier e Jean Cocteau e também foi refúgio clássico de artistas como Van Gogh e Cézanne e por essa razão a revista americana "Condé Nast Traveler" elencou alguns dos tesouros da região, como o museu que homenageia Matisse, em Nice, a cabana de praia de Le Corbusier e outras obras deixadas pelos grandes nomes que por lá passaram, oferecendo aos turistas um belo roteiro Modernista. Confira cinco delas logo abaixo.

1) Fondation Maeght

No topo de uma colina sobre Saint-Paul de Vence, a Fundação Maeght guarda uma das maiores coleções de arte do século XX da Europa - com o luxo de ter obras de arte especialmente criadas para o museu por nomes como Marc Chagall, Alberto Giacometti e Joan Miró. Os artistas o fizeram em nome dos amigos, fundadores do museu privado, os marchands Aimé e Marguerite Maeght. Projeto do catalão Josep Lluís Sert de 1964, o museu tem no jardim um labirinto de cerâmica e pedra criado por Miró.




2) Musée Matisse

Matisse era um dos artistas mais apaixonados pela Provence. Chegou em Nice em 1917 e lá ficou até morrer, em 1954. Na mesma cidade, com vista para o Mediterrâneo, dentro de uma vila italiana, foi fundado o museu em homenagem ao artista, com uma importante coleção.




3) Chapelle de Saint-Pierre

O prolífico escritor, artista e cineasta Jean Cocteau costumava passar os verões na vila de pescadores Villefranche-sur-Mer. No ano de 1957, conseguiu autorização dos moradores do local para pintar a fachada e o interior da Capela Saint-Pierre, igrejinha do século XIV em Quai Corbet. O artista coloriu as paredes com afrescos místicos que misturam cenas da vida de São Pedro, patrono dos pescadores, com elementos do trabalho de Cocteau.




4) La maison E-1027

Diante do Mediterrâneo, a casa E-1027, em Roquebrune-Cap-Martin, é um dos trabalhos mais importantes da arquiteta irlandesa Eileen Gray. Ela concebeu o projeto em 1924 para o amante dela, o crítico de arquitetura romeno Jean Badovici. Os dois terminaram em 1932 e, logo depois, Le Corbusier, hóspede de Badovici, pintou oito murais enormes nas paredes (intencionalmente) brancas de Eileen - o que ela chamou de ato vandalista. A casa está sendo restaurada e deve reabrir em 2015.



5) Le Cabanon

Le Corbusier tentou comprar a casa E-1027, mas não conseguiu. Então comprou um terreno na cidade de Roquebrune-Cap-Martin e construiu a própria casa de praia em Roquebrune-Cap-Martin. Na verdade, menos casa e mais cabana: é uma pequena construção de madeira com só 13 m². O interior resume os princípios arquitetônicos de Le Corbusier e sua "moradia econômica", com móveis embutidos e um esquema de cores fantásticos. Batizado de Le Cabanon, é o único projeto de Le Corbusier para uso próprio.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

E os Romanos reconquistaram Paris




A exposição “Moi, Auguste, Empereur de Rome”, em cartaz no Grand Palais até o dia 13 de julhos nos traz o primeiro imperador romano: Caio Júlio César Otaviano Octaviano Augusto (em latim Gaius Julius Caesar Octavianus Augustus, 63 a.C. — 14 d.C.), filho e herdeiro adotivo de Julio César.

Augusto chegou ao poder através do Segundo Triunvirato, formado com Marco Antônio e Lépido e, logo após a deterioração da relação entre os três e a batalha de Áccio, onde Agripa, seu general e amigo pessoal, derrotou Antônio, Augusto se tornou o único e o mais longo soberano de Roma, por 44 anos.

Então, para comemorar os 2000 anos de sua morte, o Musée du Louvre e o Musei Capitolini, de Roma, associaram-se para apresentar as obras simbólicas daquela idade de ouro do Império Romano, através de uma mostra voltada para a história da arte e a personalidade de Augusto.

Os quarenta anos do reinado do primeiro imperador romano foram marcados por excepcional efervescência artística: estátuas, relevos esculpidos, afrescos, ourivesaria a ponto da expressão “O Século de Augusto" tornou-se uma referência cultural.

Sob Augusto, os romanos vivem seu apogeu econômico graças ao estabelecimento da "Pax Romana" que propicia o enriquecimento geral e favorece um forte impulso no desenvolvimento das artes, que foram constantemente promovidas para garantir a unidade do Império, cujas línguas, costumes e religiões eram muito diversificadas: da Ásia Menor à Gália, há templos, fóruns e moedas ostentando um símbolo único.

Apesar de Carlos Magno ter buscado inspiração em Augusto e de Napoleão ter se feito representar sob seus traços, esse imperador continua pouco conhecido do grande público.

Uma das peças mais marcantes, com certeza, é o "Augusto de Prima Porta" (ver foto), que recebe o visitante e está no cartaz da exposição (ver cartaz), esculpida em mármore, com 2,20m de altura e que foi encontrada em 1863 na residência de Lívia, esposa de Augusto, em Prima Porta, nos arredores de Roma.

É a primeira vez que a peça deixa o museu do Vaticano e representa Augusto em trajes militares, ostentando em sua couraça, em meio a elementos cósmicos, uma cena de grande importância para os romanos: a devolução, no ano 20 a. C., das insígnias tomadas pelos partas trinta e três anos antes.

Veja aqui o vídeo sobre a exposição:
www.dailymotion.com/video/x1o90lx_moi-auguste-premier-communicant_creation

Grand Palais
21, Avenue Franklin-Roosevelt
8ème arrondissement
Telefone: 01 43 59 76 78
www.grandpalais.fr

domingo, 4 de maio de 2014

Call Me Bubbles anima Montmartre



No quartier de Lamarck-Caulaincourt, em Montmartre, o Call Me Bubbles é um bar à champagne intimista e aconchegante, aberto para agradar tanto os fãs quanto os especialistas na bebida.

Os preços são pequenos e a qualidades de seus produtos é grande e podem ser apreciados com saladas, frios ou sushis, e a maioria dos champagnes provêm diretamente de pequenos produtores, entre eles algumas raridades, como o Moutard Père et Fils Cuvée Six Cépages Brut, 2006 - um extraordinário prazer para o paladar.

Também é possível comprar garrafas no local para levá-las para casa, a partir de 35 euros e há coupes entre 8 a 11 euros.

54, Rue Custine
18ème arrondissment
Telefone: 09 72 42 13 12
www.callmebubbles.fr

sábado, 3 de maio de 2014

Hotéis de luxo em Paris investem na alta gastronomia

Reproduzo uma excelente matéria de Mari Campos, especial para O Globo, sobre os restaurantes de alguns dos melhores hotéis de Paris, publicada nesta última sexta-feira (2). Segue a peça:


A lagosta é uma das atrações do W
Foto: Divulgação
A lagosta é uma das atrações do W.  Foto: divulgação

Estrelas do quarto à mesa em Paris

Hotéis de luxo investem em alta gastronomia com restaurantes
assinados por Chefs notáveis em ambiente caprichado

PARIS - O ano passado foi excelente para os hotéis de Paris, sobretudo os de luxo, com taxas de ocupação em franca recuperação pós-crise de 2008. Alguns estabelecimentos voltam agora repaginados, numa retomada clara da ideia de mesclar inovação com princípios básicos de qualidade e excelência em padrão de serviço à francesa — e com destaque, claro, para a gastronomia, em restaurantes mais acolhedores e com personalidade. Um chef estrelado pode conquistar, pelo estômago, além de moradores, novos e futuros hóspedes para o hotel.

Hoteleiros que investem neste segmento sustentam que hoje em dia não existem mais restaurantes “de” hotel e sim restaurantes “em” hotel — com identidade própria e independência. E os que estão localizados em hotéis de luxo se apresentam para o cliente ou hóspede com a chancela de qualidade pelo renome do teto que os abrigam e a promessa de boa comida e ótimo serviço. Em nenhuma cidade isso fica tão óbvio quanto em Paris, uma das grandes capitais gastronômicas do planeta.

No último ano, novos restaurantes dão ainda mais sabor à oferta da cidade. O W Paris inaugurou em março o Coquette, com cardápio que brinca com pratos clássicos. O La Scène conquistou uma estrela Michelin em menos de um ano no renovado Prince de Galles. O Le Lulli, no Grand Hotel du Palais Royal, com ambiente despojado, tem preços convidativos. No Four Seasons, o chef duas estrelas Eric Briffard leva os hóspedes ao mercado antes de preparar o almoço.

Novas propostas. De ambiente sem frescuras a chinês gourmet

Depois de uma grande reforma que durou dois anos, o Hotel Prince de Galles, da Luxury Collection da Starwood, foi reaberto em maio do ano passado, no chamado “triângulo dourado de Paris” (formado pelas avenidas Champs-Élysées, George V e Montaigne), na Rive Droite. Meses depois, em fevereiro, seu restaurante assinatura, o La Scène, conquistou uma estrela Michelin. A chef executiva do hotel, Stéphanie Le Quellec, estrela em ascensão na culinária francesa aos 32 anos, elaborou uma gama interessante de experiências culinárias no hotel, do café da manhã (€ 48) à excelência à la carte do La Scène.

— Quero desmitificar a alta gastronomia, tornando-a mais acolhedora e menos intimidante, mas sem que perca sua elegância — diz.

Essa parece ser a linha seguida pela maioria. Também inaugurado ano passado, em junho, o Grand Hotel du Palais Royal, ao lado do Louvre e anexo ao Palais Royal, tem chancela de Pierre-Yves Rochon no toque contemporâneo da decoração do palácio. Tão discreto quanto os quartos e ambientes comuns do hotel, seu restaurante Le Lulli tem encantado moradores e turistas em menos de um ano de operação. Com entrada independente ao hotel e ambiente absolutamente sem frescuras (o próprio staff é jovem e acolhedor no atendimento, sem deixar de ser impecável), parece mais uma extensão do belo jardim de inverno anexo — inclusive nos detalhes verdes aqui e ali. Comandado pelo jovem chef Jean-Yves Bournot, tem cozinha tipicamente francesa com toque gourmet e cativa também pelo preço: o menu de almoço executivo durante a semana tem opções diferentes de entrada, prato principal e sobremesa para serem combinadas por preços de € 35 a € 42, com amuse bouche incluído — as vieiras e a torta de chocolate são imperdíveis. O Champagne Bar comandado por Yohann Andrez ao lado serve seus pratos de maneira ainda mais informal e descontraída.

O Hotel Marignan, na rua homônima do “triângulo de ouro”, também reabriu as portas depois de uma total remodelação. O designer Pierre Yovanovitch criou um ambiente moderno no lobby e no bar e trouxe mais informalidade para o novo restaurante, de poucas paredes, ao lado da recepção. Mas é o chef Filipe da Assunção (que ostenta o título de “Meilleur Ouvrier de France”), com pratos criativos nas misturas e na apresentação, mas essencialmente franceses (do steak tartare, a € 28, ao café gourmand), quem garante a cara jovem e convidativa do local. O restaurante é boa opção para almoço em um dia de compras na Champs-Élysées e arredores.

Inaugurado no fim de 2010 na antiga mansão do sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte, o hotel Shangri-La Paris tem decoração pomposa e vibe contemporânea nos restaurantes, numa mistura que tem dado certo. O francês L’Abeille, do chef Philippe Labbé (natural de Champagne e já com um histórico de estrelas Michelin no seu currículo), recebeu duas estrelas Michelin pouco tempo após a abertura com pratos que mudam a cada estação, como a lagosta azul (€ 138), acompanhados de trufas negras ou pistache. A iniciativa mais ousada do hotel foi igualmente premiada: o primeiro restaurante gourmet de cozinha chinesa de Paris, o Shang Palace, a cargo do chef chinês Frank Xu, também recebeu sua estrela Michelin. No cardápio além do pato laqueado de Pequim, há pratos que propõem uma releitura dos pratos chineses mais clássicos. O menu de sete passos sai a € 98.

Sabores da estação. Ingredientes frescos em menus de grife

Para combinar com seu estilo contemporâneo e jet-setter, o W Paris Opera abriu em março um novo restaurante, Coquette, que propõe uma releitura bem-humorada e atual da cozinha francesa. Comandado pelo chef Julien Gasperi, traz bom humor dos afrescos do artista de rua francês Honet ao nome dos pratos, como a lagosta com ressaca (marinada no uísque) ou o bife nas névoas — e já anda lotado todas as noites, frequentado sobretudo por gente da cidade.

E tem hotel que vai além das estrelas de seu chef para unir gastronomia e visitantes e ainda oferece atividades gratuitas para hóspedes e clientes do seu restaurante, como o Four Seasons George V, em Paris — mesmo sendo um dos maiores clássicos da hotelaria da cidade, está sempre na vanguarda. Seu restaurante Le Cinq, comandado pelo chef Eric Briffard, com duas estrelas no Michelin, agora oferece, além do menu sazonal estudado meticulosamente, atividades periódicas como degustação de grandes vinhos franceses na adega do hotel com o sommelier Eric Beaumard, sem custo.

Os hóspedes do hotel e clientes do Le Cinq ainda podem se inscrever, também gratuitamente, para o workshop de gastronomia que o próprio Briffard faz mensalmente, levando os participantes para uma manhã de compras no mercado seguida de aula de culinária — que termina com todos degustando os pratos preparados ali, acompanhados de uma taça de champagne.

A ideia comum a todos esses restaurantes é cultivar sabores internacionais sem abrir mão do frescor dos ingredientes tipicamente locais — e, na maioria dos casos, com menus substancialmente mais baratos no almoço nos dias úteis. O cardápio sazonal de almoço, com as “ofertas do mercado”, é oferecido pelo Le Cinq em dias úteis por € 110 (entrada, prato principal e sobremesa).

E há chefs que são tão badalados que a identidade do hotel e sua gastronomia chegam a se confundir em alguns casos. Da chamada haute cuisine do Sur Mesure (duas estrelas Michelin) à sua Cake Shop repleta de guloseimas e chocolates (poucos hotéis levaram a pâtisserie tão a sério), o chef Thierry Marx é, em parte, corresponsável pelo sucesso do hotel Mandarin Oriental, Paris desde a abertura, em 2011.

— O hotel traz até mim um ambiente de luxo que é conveniente ao meu trabalho e filosofia. Um hotel cinco estrelas tem um nível bastante alto de requisitos em excelência de serviço, o que é, definitivamente, o mesmo nível que eu tento alcançar com minha equipe na minha cozinha — disse Marx, quando esteve no Brasil em março.

A alta costura tão marcante na capital francesa foi homenageada na decoração do restaurante principal, repleto de branco e peças com status de arte, oferecendo menus degustação com seis ou nove passos (jantar a € 175 ou € 205), mesclando a cozinha francesa com os conhecimentos do chef sobre as tradições culinárias do Japão.

— Em um hotel de luxo de uma grande rede, tenho possibilidades de expressar diferentes tipos de cozinha em cada um dos meus restaurantes. Posso inovar no Sur Mesure; fazer uma cozinha mais simples e acessível no Camélia, e criar algo parecido com comida de rua, por exemplo, no Bar 8. Não sei se eu seria capaz de explorar aspectos tão diferentes da minha cozinha em um lugar menor — diz Marx.

Serviço

La Scéne: 33 Avenue Georges V. No Hotel Prince de Galles. la-scene-restaurant.com

Le Lulli: 4 Rue de Valois. grandhoteldupalaisroyal.com

Marignan: 12 Rue de Marignan. hotelmarignanelyseesparis.com

L’Abeille e Shang Palace: 10 Avenue d’Iená. shangri-la.com

Coquette: 4 Rue Meyerbeer. wparisopera.com

Le Cinq: 31 Avenue George V. restaurant-lecinq.com

Sur Mesure: 251 Rue Saint Honoré. mandarinoriental.com

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Há 16 anos o Euro era criado




Uma conturbada sessão noturna em Bruxelas decidiu, no dia 2 de maio de 1998, que a União Europeia teria uma moeda conjunta – o euro.

Mas a história do euro iniciou-se em 1957, com a assinatura do Tratado de Roma e a criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), entre Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. O tratado estabeleceu o Mercado Comum Europeu com a finalidade de assegurar o progresso econômico e contribuir para uma união cada mais estreita entre os povos europeus.

Nos 30 anos seguintes, seis outros países aderiram à CEE. Em 1973, Reino Unido, Irlanda e Dinamarca; em 1981, Grécia; e, em 1986, Portugal e Espanha. Em 1995 foi a vez da Áustria, Finlândia e Suécia.

Atraso no cronograma

Já em dezembro de 1969, a Comunidade Europeia havia aprovado o Plano Werner, em referência ao então primeiro-ministro de Luxemburgo, Pierre Werner. Sua ideia era concretizar a União Econômica e Monetária (UEM) da Europa já em 1980. Contudo, as turbulências monetárias da década de 70 atrasaram o cronograma. Neste período, os países filiados contentaram-se com a cooperação monetária.

O Ato Único Europeu, assinado em 1986, complementou o Tratado de Roma de 1957 e lançou as bases para a UEM, delineando novas medidas que passariam pela eliminação dos obstáculos entre os países-membros para a circulação de pessoas, de serviços e de capitais, uma política comum na área da agricultura, das pescas e transportes, a aproximação das legislações, uma política social, incentivos à criação e ao desenvolvimento de redes intereuropeias, entre outras.

Em 1992, foi assinado o Tratado da União Europeia, ou Tratado de Maastricht, que consagrou o nome União Europeia e lançou as bases para a moeda única. Um passo decisivo seria tomado numa reunião do Conselho Europeu entre 1º e 3 de maio.

Uma conturbada sessão noturna em Bruxelas decidiu, no dia 2 de maio de 1998 (na realidade já era o dia seguinte, pois passava da meia-noite), que a União Europeia teria uma moeda comum. Entre 1994 e 1999 foi criado o Instituto Monetário Europeu e aprovado o nome euro para a moeda única.

O então chanceler federal alemão, Helmut Kohl, considerou a decisão de importância histórica: "A União Econômica e Monetária é uma resposta decisiva à competitividade internacional cada vez mais acirrada, não só entre países, mas entre grandes regiões no mundo. Por isso a importância da zona do euro, em que residem 300 milhões de pessoas que ganham 20% dos rendimentos no mundo – uma situação comparável à dos Estados Unidos".

Exigência de garantias

Em janeiro de 1999, as taxas de câmbio das moedas participantes foram fixadas em caráter irrevogável. Os países participantes da zona do euro passaram a pôr em prática uma política monetária única: o euro foi introduzido como moeda legal e as 11 moedas nacionais dos países-membros passaram a ser subdivisões do euro. O euro passou a ser a moeda comum da Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha. Em 2001, a Grécia entraria para o grupo. Em 2004 seria a vez da Eslovênia e, em 2007, ingressaram Malta e Chipre.

Para poder participar da União Econômica e Monetária, os países tiveram de obedecer três critérios. O primeiro foi a estabilidade de preços: a taxa média de inflação não deveria exceder em mais de 1,5% a verificada nos três países-membros com melhores resultados em termos de estabilidade de preços.

Em segundo lugar, a garantia da sustentabilidade das finanças públicas (o déficit orçamentário não deveria exceder 3% do PIB e a dívida pública não poderia ultrapassar 60% do PIB). O terceiro critério relaciona-se à convergência das taxas de juro (as taxas nominais de longo prazo não deveriam exceder em mais de 2% a média das taxas de juro dos três países filiados com melhores resultados em termos de estabilidade de preços).

Além disso, cada país deveria respeitar as margens de flutuação normais do mecanismo de taxas de câmbio do sistema monetário europeu, durante pelo menos os dois anos anteriores à análise.

Divergências no BCE

Reino Unido, Dinamarca e Suécia não fazem parte da zona do euro por motivos políticos internos. O pomo da discórdia, entretanto, na cúpula de 2 de maio de 1998, foi o nome para a presidência do Banco Central Europeu (BCE), com sede em Frankfurt, na Alemanha.

Enquanto a maioria dos países membros apoiava o holandês Wim Duisenberg para o cargo de oito anos, a França insistia em seu candidato: Jean-Claude Trichet. O consenso só foi encontrado depois que Duisenberg acenou com a possibilidade de renunciar na metade do mandato, por questões de idade.

No dia 1º de novembro de 2003, como previsto, Trichet substituiu Duisenberg na presidência do BCE.

Com informações da Deutsche Welle.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Bourgogne em Paris

O repórter Bruno Agostini, de O Globo, publicou nesta última terça, (29), uma excelente reportagem sobre o melhor da Região de Bourgogne em Paris, segue a peça:

Duas embaixadas informais da Borgonha em Paris

  • Bar de vinhos e restaurante temático servem apenas rótulos da região francesa


Vinho branco com petiscos no Ambassade de Bourgogne Foto: Bruno Agostini / O Globo

Vinho branco com petiscos no Ambassade de Bourgogne Bruno Agostini / O Globo


Ao saber que eu estava em Paris, o amigo enófilo Eugênio de Oliveira logo me deu a dica preciosa: “Bruno, não perca a Ambassade de Bourgogne, só vinhos da Borgonha". Diante de indicação tão interessante vindo de uma fonte confiável, programei a visita para o dia seguinte. Enquanto fazia o check-in no hotel Prince de Galles, pedi ao concièrge para pegar indicações do lugar e fazer uma reserva. Ao ver que eu tinha amplo interesse pela região onde reinam as uvas pinot noir e chardonnay, ele me deu uma outra boa dica.

— Se o senhor gosta da Borgonha também precisa conhecer o restaurante Les Climats. A carta só tem vinhos de lá, e a cozinha é especializada nos pratos locais — sugeriu. — Além de tudo, é bem perto da Ambassade de Bourgogne, que é um bar de vinhos e lojas, tem petiscos, mas não é lugar para jantar — sugeriu, completando para deixar o programa ainda mais imperdível diante da coincidência geográfica.

A distância entre um e outro, na Rive Gauche sempre cheia de brasileiros neste início aprazível de primavera, era de dez ou 15 minutos andando, calculou. E lá fui eu numa feliz caminhada no final de tarde fresco e ensolarado de Paris. Aproveitando o clima ameno daquela sexta-feira desci a Avenue George V até encontrar o Rio Sena. Na Rive Droite fui acompanhando o seu traçado, observando o tráfego dos barcos navegando com turistas e mercadorias. Por puro capricho resolvi cruzar a Ponte Alexandre III, a mais linda entre todas as de Paris, com as suas luminárias rebuscadas e estátuas de querubim, ninfas e cavalos alados.

Cheguei de modo triunfal à Rive Gauche, e continuei a caminhada ao longo do Quay d’Orsay até alcançar o museu de mesmo nome, com a rica coleção de impressionistas, e o relógio que é famoso cartão-postal. Desci a Rue du Bac até chegar à Rue de Lille, onde no número 41, a poucos passos da esquina, está o restaurante Les Climats. Dei uma espiada na fachada discreta, e segui em frente, rumo à “representação diplomática” da Borgonha em terras parisienses.

Segui pela Rue du Bac, com uma olhadinha no movimento do Atelier de Joël Robuchon (no número 5 da Rue Montalembert), que ficou para a próxima visita, até chegar ao emblemático e sempre movimentado Boulevard Saint-Germain. É sempre bom passar em frente, mesmo sem parar, às aprazíveis mesas externas, do Café de Flore e do Les Deux Magots. Continuei a caminhada até chegar à Rue de l’Odéon, onde logo no número 6 está a Ambassade de Bourgogne, bem perto do movimentado Carrefour de l’Odéon.

O lugar é pequeno, como as vinícolas da região, e com uma lista de rótulos diversificada, como são os seus vinhedos e os seus vinhos. Paredes cobertas de garrafas, das denominações mais variadas, montam raro repertório. Para um amante dos vinhos brancos, foi ótimo ver que eles são maioria entre os vendidos em taça (14, com preços entre € 4 e € 20; contra dez tintos, preços de € 4 a € 19,50; mais um espumante, um Aligoté e um rosé).

O local também funciona como loja, com cerca de mil rótulos, dos mais variados, incluindo raridades como um Clos de Tart 1947 (Mise Van de Meulen), vendido por € 1.450. Quem quiser beber ali mesmo uma garrafa dessas paga € 15 de taxa de rolha. Há algumas safras antigas, mas esta não é a especialidade da casa, com esmagadora maioria de vinhos de 2005 para cá. Mas quem gosta de brancos envelhecidos pode pedir rótullos como o Bâtard-Montrachet Henri Clerc 1990 (por € 200). Pedi uma taça de Chassagne-Montrachet e outra de Chambolle-Musigny, para acompanhar o prato de frios, com presunto cru e salames, e a cestinha de pães.

Depois do aperitivo inspirador, hora de seguir para o jantar. Caminhada curta, e logo já estava de volta à Rue de Lille, à porta do Les Climats. Garrafas fazem parte da decoração. São nada menos que 8.500, totalizando 2.220 rótulos de “rouges” e outros 580 de “blancs”, somando 184 “vignerons”, com preços de € 15 a € 5.388. Só Borgonha. A carta de vinhos é um guia, um livro (que pode ser comprado) que explica as diferenças entre cada denominação, cada vinhedo, ilustrado com mapas e bom suporte de textos. Para quem gosta do assunto, dá para gastar um bom tempo ali, só folheando a lista.

Para começar escolhi uma taça do simples mas gostoso Bourgogne-Aligoté 2010, do Domaine Christophe Grandmougin, que acompanhou não só o couvert e o amuse bouche, com um admirável pão tipo gougère, bem como a entrada, um saboroso prato de escargots de Bourgogne (€ 22) em interessante composição que incluída cubinhos de bacon e uma vistosa massa crocante de queijo recheada com um tipo de fonduta. Coisa bonita, e gostosa.

Em seguida, um “boeuf” apimentado em molho de pinot noir, que veio escoltado por um vinho desta mesma uva, um instigante Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2011 de Philippe Labet, tão jovem quanto saboroso. Resisti a pedir um prato de queijo Epoisses (€ 12), ou a seleção da Maison Androuet (€ 16), bem como as sobremesas (todas a € 14).

Fui embora feliz como quem andou comendo e bebendo bem. Enquanto a noite caía detrás da Torre Eiffel, disse até breve à cidade com o delicado e persistente sabor da Borgonha na boca.

Serviço

Ambassade de Bourgogne: Abre diariamente. 6 Rue de l’Odéon.Tel. 4354-8004. ambassadedebourgogne.com

Les Climats: Abre para almoço e jantar, de terça-feira a sábado. 41 Rue de Lille. Tel. 5862-1008. lesclimats.fr