quarta-feira, 24 de agosto de 2011

L'Auberge, de Paul Bocuse

Um dia estava procurando uma desculpa para sair de Paris e fazer alguma coisa diferente.

Aliás, o que queria mesmo era andar de TGV e fiquei matutando até que a minha mulher brincou: - “por que não vamos para Lyon, almoçar no Paul Bocuse?”

Respondi que estava fechado, afinal esta seria uma super desculpa para deixar Paris por algumas poucas horas e a primeira providência foi tentar reservar uma mesa e ver se íamos mesmo conseguir.

A chance de se conseguir uma mesa no restaurante mais famoso do mundo, de propriedade do maior Chef francês da atualidade, na véspera é pequena: liguei, me identifiquei como jornalista e consegui uma mesa para o último serviço, às 13h30 de sábado.

Agora faltava o TGV e pela internet consegui um horário saindo às 10h53 da manhã de sábado, com previsão de chegada em Lyon às 13h03, com uma razoável janela de tempo para pegar um táxi e nos dirigirmos para o restaurante.

O L'Auberge du Pont de Collonges fica a cerca de 7km de Lyon, em Collonges-au-Mont-d'Or e é o principal restaurante de Bocuse, que tem outros cinco - brasseries - na região: Le Nort, Le Sud, L’Est, L’Ouest e Argenson.

O L'Auberge é consagrado com 3 Estrelas pelo Guie Michelin Rouge desde o ano de 1965, quando seu proprietário tinha apenas 39 anos e eu nascia, portanto há 46 anos.

Bocuse é considerado a alma da alta gastronomia francesa e foi o criador da Nouvelle Cuisine, o movimento que renovou a culinária tradicional francesa com receitas revisitadas e feitas a partir de ingredientes tradicionais, encontrados nas feiras livres francesas.

Optei pelo Menu Bourgeois, com entradas de Salade de Homard du Maine a la française e Turbot au Champagne, para limpar o paladar um Granité des vignerons du Beaujolais, como prato principal Ris de veau aux écrevisses (que acabei por trocar pelo principal da minha mulher), seleção de queijos frescos e ainda sobremesas e petits fours variados.

Minha mulher optou pelo Menu Classique, com entrada de Cassolette de Homard a l’armoricaine, como prato principal um Filet de boeuf Rossini com molho Périgueux (que trocou comigo) e a mesma seleção de queijos frescos e ainda sobremesas e petits fours variados.

Uma super dica: no site www.bocuse.fr é possível visitar as instalações de seus restaurantes e também ler as todas as receitas do Grand Ghef, tanto em francês, quanto em inglês.










terça-feira, 23 de agosto de 2011

Agosto em Paris

Se alguém me perguntar qual a época ou o mês do ano que menos gosto em Paris, a resposta seria sem nenhuma hesitação: o mês de agosto.

Em agosto faz calor, com máximas que passam 30ºC.

Em agosto os parisienses – quase todos – saem de férias e a cidade fica vazia.

Em agosto os melhores lugares para ir, como restaurantes bares e clubes noturnos fecham – até as boulangeries fecham!

Em agosto o trânsito fica pior por conta do “Paris Plage”, um evento realizado nas pistas de automóveis ao lado do Rio Sena.

Em agosto o número de turistas duplica e os dias de chuva, também.

Mas se outro alguém me perguntar se eu visitaria Paris em agosto, a resposta seria sem nenhuma hesitação: claro!












segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Jean-Jacques Rousseau revisitado

Liberté, Égalité, Fraternité.

Costumo dizer que esta única expressaão de Jean-Jacques Rousseau resume a França como a conhecemos hoje apesar de todas as marcantes diferenças entre classes, seja por distinções econômicas, étnicas, religiosas ou até geográficas.

O meu ponto é que em pouquíssimos países se percebe um lema nacional tão levado a sério, como notei desde a minha primeira aqui, no ano de 1978, quase no final do Governo Geisel.

Nesta época, comunistas – ao menos para mim – comiam criancinhas. Por essa razão me recordo bem que, logo após desembarcar do moderno DC-10 da Varig em Orly Sud (é, definitivamente, o tempo passa) e pegar um táxi para casa, o Rafael, meu cunhado à época, por pura diversão, perguntou ao taxista qual era a sua preferência política.

Veio a resposta: ele era comunista, e eu, com treze anos, logo pensei que fosse me devorar, o que felizmente não aconteceu.

Mas me fez, após crescer no Brasil do “Ame-o ou deixe-o”, começar a ver as coisas de maneira mais aberta. Aqui, naquela mesma época, vi minha primeira passeata e vivi a minha primeira greve.

Agora, já estou de volta aqui há quase dois anos e tenho tido excelentes oportunidades ao tentar me habituar a um dia-a-dia normal, de um habitante da cidade e não mais de um turista ou visitante.

Confesso que o que mais me espanta são dois pontos distintos: o primeiro é o custo de vida, que é muito, mas muito mais barato que do Rio ou São Paulo e olha que estamos falando de Paris, que é disparada a cidade mais cara da França.

E o segundo é a facilidade das coisas da vida privada, como colocar a conta de luz em meu nome para ter um comprovante de residência, fazer o seguro de saúde da família e dos cachorros, abrir uma conta num banco, assinar uma TV a cabo, internet e telefones fixo e celular e até comprar um carro.

Para a conta de luz bastou passar um fax com o contrato de locação, e pronto. E o mais fantástico é que, baseado no consumo do cliente anterior, pude escolher o quanto vou consumir e pagar de energia para os próximos doze meses: se for a mais ou a menos, ao final do contrato recebo créditos ou pago a diferença.

Minha TV a cabo tem – pelo preço que eu pagava à similar no Brasil – mais de 200 canais ativos, internet sem fio para a casa toda e ainda um telefone fixo que liga de graça para mais de cem – vou repetir – cem países, contanto que para outro fixo.

O seguro de saúde complementar que contratei para a família toda foi escolhido através de um site que compara as nossas necessidades nas principais seguradoras, por nível de cobertura e preço, que aliás é exatamente o que eu pagava no Brasil. Só que apenas para mim.

A escolha do seguro dos cachorros foi exatamente igual ao da família, ao custo da metade da consulta que eu pagava em terras cariocas, e cobre internações, exames e consultas.

Querem saber dos celulares? Pois bem, eu mesmo montei o plano de acordo com as necessidades familiares de falar entre si, dados e texto. O custo? É melhor não contar.

Aqui há liberdade de escolha, igualdade entre os serviços e uma mão fraterna cuidando de todos de forma efetiva porque quem tem mais contribui para quem tem menos, e vê o resultado.

domingo, 21 de agosto de 2011

Em Lyon, entre Romanos e Nossa Senhora

Em Lyon, quando almoçamos no Paul Bocuse (desta vez no L'Auberge) Lyon, conhecemos uma taxista que nos levou ao Musée Gallo-Romain de Lyon-Fourvière e à Basílica Notre-Dame de Fourvière.

Resolvemos não ir de carro desta vez e pegamos um TGV da Gare de Lyon (esta em Paris), até a Gare Lyon Part Dieu (esta em Lyon).

Ao chegar fomos rapidamente procurar um táxi para não perder o horário da reserva no restaurante. Achamos o ponto e acenei: uma simpática motorista nos atendeu e prontamente se pôs ao caminho e, ao contrário do que normalmente acontece em Paris, a taxista não parava de falar.

Entre a estação e o restaurante já sabíamos onde e o que ela gosta de comer e mais ainda: que seu tio é o afamado Chef Bernard Pacaud, dono do hiper famoso L'Ambroisie, um legítimo 3 Estrelas no Guide Michelin Rouge.

Ao nos deixar perguntamos se ela poderia nos pegar e depois fazer um “tour” pela cidade já que nossa volta estava marcada para às 19h00 e deveríamos acabar por volta das 16h00.

Ela concordou e ao nos pegar, após o almoço, nos deu um presente: um cartão do L'Ambroisie, no nome do seu tio Bernard onde ela nos recomenda para uma noite especial – que mal posso esperar para fazer!

Andamos por quase todo o centro de Lyon e nossa primeira parada foi na Basílica de Notre-Dame de Fourvière, construída com fundos secretos entre 1872 e 1876, ela fica no alto do Monte Fourvière e oferece uma vista magnífica sobre a cidade.

Como a Basílica do Sacré-Coeur em Paris, Notre-Dame de Fourvière foi construída para ressaltar o poder da Igreja Católica Romana, logo após a derrota da França para a Prússia em 1870, e o nascimento da anti-clerical Terceira República.

Outro ponto comum é o seu estilo neo-bizantino e seu exterior relativamente austero que contrasta com o interior ricamente decorado, concebido para demonstrar a riqueza e poder da Igreja.

Ao deixarmos a Basílica fomos para o Musée Gallo-Romain de Lyon-Fourvière, construído ao lado das ruínas do Grande Teatro e o Teatro do Odéon, na antiga cidade de Lugdunum, nome dado pelos Romanos a uma cidade gaulesa junto ao Rio Rhône, conquistada no ano de 43 a. C.

Mais tarde Lugdunum foi fortificada pelos Romanos e tornou-se, por volta do Século II, a capital da província romana Lugdunense, que se estendia entre os rios Loire, Sena e Saône e a cidade mais importante da Gália Romana, sendo um importante centro comercial e o ponto de partida e chegada de diversas estradas romanas na região da Gália e da Renânia.

O Grande Teatro e o Teatro do Odéon poderiam receber cerca de 13.000 espectadores e durante três séculos, esta área seria o coração da vida da cidade que foi abandonada progressivamente a partir do Século III.Seus vestígios seriam restaurados durante a primeira metade do Século XX e sua escavação completa foi realizada em 1933, sendo que os dois edifícios em forma semi-circular foram restaurados.

Desde o Século XVI se descobrem ruínas, inscrições, objetos, estátuas, moedas e cerâmica de Lugdunum a ponto das primeiras coleções serem desta época.

Contudo, no início da década de 1980, antes da realização d uma série de obras públicas, Lyon executou uma série de escavações exploratórias e com isso pôde enriquecer ainda mais seu acervo que hoje tem quase cinco séculos de descobertas, cobrindo todos os capítulos da vida pública e privada de uma das capitais mais importantes do Antigo Império Romano.











sábado, 20 de agosto de 2011

O Brasil é aqui. Mesmo.

Há um tempo atrás tive uma experiência inesquecível: fui ao Consulado do Brasil em Paris registrar, não uma, mas duas procurações públicas.

Explico: enquanto as Embaixadas do Brasil são responsáveis pela representação do Estado Brasileiro junto aos Governos dos países onde estão acreditadas, os Consulados do Brasil são responsáveis por prestar serviços aos cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes dentro da sua jurisdição consular (pode haver mais de um Consulado por país), dentro dos limites estabelecidos pela legislação brasileira, pela legislação dos países onde estão acreditados e ainda pelos tratados internacionais pertinentes.

Ou seja, no meu caso, o Consulado exerceria a função de notário público e oficial de registro civil.

O primeiro passo foi navegar na internet e procurar o que seria necessário levar de documentação, como apresentá-la e ainda saber quanto custaria e onde pagar.

Em dois minutos acessei o site, listei a documentação – tinha tudo aqui – e vi onde, como e quanto pagar – nos correios, tinha um formulário de amostra – e ainda consegui saber que o Consulado havia se mudado de onde sempre, desde que eu era menino, esteve: no prédio de nossa Embaixada.

Ao anotar o novo endereço, percebi, aterrorizado, um aviso que dizia:

ATENÇÃO
De modo a poder melhor atender ao público, o Consulado-Geral
em Paris está limitando o número de pessoas a receber por dia:
60 (sessenta) pessoas para serviços diversos
15 (quinze) para pedidos de visto
Será distribuída apenas uma senha por pessoa, por ordem de chegada.
É terminantemente proibido retirar mais de uma senha.

A partir daí, minha noite estava escura, sombria e decidi que iria cedo aos Correios para pagar de uma só vez as taxas consulares das duas procurações e rumaria ao inevitável caos das senhas, filas e mandingas brazucas.

Como o Consulado abriria às 09h30, no mesmo horário dos Correios, eu tinha a sensação que ao chegar ao meu destino final, em meu pensamento algo como a descida de Dante ao seu inferno, nada mais poderia fazer e com a certeza dos justos, teria que retornar no dia seguinte.

Eram 11h20 quando cheguei ao número 65 da Avenue Franklin Roosevelt, nova sede do Consulado e logo que entrei no prédio, havia, sentada à direita, uma mocinha francesa chorava (não sei porque) e no balcão de informações um jovem senhor, também francês, que gritava com a recepcionista porque queria ser atendido na hora – imaginem se o fizéssemos no Rio...

Esperei para pegar a senha – pois é, a senha – e logo entrei na sala de atendimento, repleta de cadeiras de espera e com muitos guichês de atendimento.

Para minha surpresa a sala, apesar de estar cheia de cadeiras e com pessoas, era muito bonita – o prédio é novo, descobri mais tarde – e com muitos guichê e todos com seus respectivos atendentes.

Mal sentei por dez minutos, chamaram a minha senha e fui atendido por um Senhor simpático, muito educado e que conhecia o riscado – José Antônio – enquanto íamos avançando, conversávamos e descobri que está aqui há mais de trinta anos.

Fiquei feliz em ter ido ao nosso Consulado. Lá descobri uma parte do Brasil que funciona, que é moderno, que tem gente capaz e educada, sem o nariz em pé tão característicos do funcionalismo público – no mundo todo, diga-se de passagem.

Aproveito, tardiamente, para render minhas homenagens à nossa magnífica Embaixada, instalada no Cours Albert 1er, às margens do Rio Sena, em um imóvel belíssimo, construído por volta de 1850 e com mais de 630 metros quadrados.

Fui recebido neste prédio, logo após minha chegada em Paris, ao me apresentar como jornalista correspondente ao Embaixador José Maurício Bustani e à parte de sua equipe, composta pelo Ministro Laudemar Gonçalves e pela Secretária Simone Meira Dias.

O Embaixador Bustani e sua equipe têm feito mais pelos interesses do Brasil em quatro anos do que foi feito em três décadas passadas. Foi ele quem criou a Câmara de Comércio do Brasil na França, com mais de 30 eventos de promoção comercial e empresarial desde sua fundação, em janeiro de 2009.

Aqui temos um Brasil que dá certo, moderno, antenado com os interesses de uma nação em franco crescimento.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Paris combina com Hamburger? Combina, sim.

Apesar de estar – literalmente – mais magro a cada dia, não consigo abandonar um velho hábito: o de experimentar novos restaurantes de hambúrgures em Paris.

Sei que é estranho mas minha tese é a seguinte: o melhor estilo de hambúrguer é o estilo americano, certo? Imagine então fazer tudo ao estilo americano e somar a qualidade dos produtos e da culinária francesa!

Resultado: há na França os melhores hambúrgueres do mundo, na minha opinião, é claro e não estou falando de cadeias como Mc Donald’s, Hard Rock Café ou mesmo cadeias francesas como Quick.

Falo de casas especiais, com uma atmosfera diferenciada onde podemos nos sentir em Manhattan cercado do charme e dos sabores e temperos franceses como, por exemplo, o Coffee Parisien, o Schwartz Deli e o BIA – Breakfast In America.

O Coffee Parisien tem hoje três endereços: 4 da Rue Princesse, em Saint-Germain, 7 da Rue Gustave Courbet, no 16º arrondissement e no 46 da Rue de Sablonville, em Neuilly-Sur-Seine.

Em todos os três endereços você irá encontrar além dos maravilhosos hambúrgures, acompanhamentos e milk-shakes, um ambiente jovem, bem decorado ao estilo “american diner” e com muitas pessoas bonitas.

Outro lugar imperdível é a Schwartz Deli, no número 16 da Rue des Ecouffes, bem no meio do Marais, o bairro mas transado de toda Paris, onde a vanguarda é a regra.

No Schwartz Deli encontramos uma verdadeira "delicatessen" (palavra que vem do alemão e que podemos traduzir como delícias ou ainda, guloseimas) judaica, com todos os produtos casher tradicionais como carnes, salames, lingüiças, peixes defumados, vodkas bagels, etc...

Mas também encontramos maravilhosos – escrevo sem uma pota de exagero – hambúrgueres e também suculentos New York STK (steak), cachorros-quente ou até o seu inesquecível Cheesecake.

A terceira casa, na minha preferência é o BIA – Breakfast In America, com dois endereços: no 17 da Rue des Ecoles, no 5º arrondissement e no 4 da Rue Malher, também no Marais, como o Schwartz.

O BIA é o mais americanizado dos três, tanto na maneira do preparo de seus hambúrgueres e todo o resto de seus pratos, quanto na frequência dos seus clientes.

O motivo é bem simples, o proprietário, Craig Carlson, é um americano de Connecticut que veio para a França como estudante e se apaixonou imediatamente pelo país.






quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Paul Bocuse e suas brasseries

Outro dia almoçamos em Lyon, mas desta vez não fomos em Collonges-au-Mont-d'Or – a apenas 13km do centro da cidade – onde fica o principal restaurante de Bocuse, o L'Auberge, consagrado com 3 Estrelas pelo Guide Michelin Rouge desde o ano de 1965.

Como vocês sabem, Paul Bocuse é considerado a alma da alta gastronomia francesa e foi o criador da Nouvelle Cuisine, o movimento que renovou a culinária tradicional francesa com receitas revisitadas e produzidas a partir de ingredientes tradicionais, normalmente encontrados em feiras livres.

Além do L’Auberge, Bocuse é proprietário de outras cinco casas na região, as brasseries Le Nort, Le Sud, L’Est, L’Ouest e Argenson.

Como éramos três adultos, dois adolescentes e ainda dois cães, escolhemos a mais moderno delas, o L’Ouest, que fica no número 1 do Quai du Commerce, às margens do Rio Saône e que conta com um excelente estacionamento no seu subsolo.

Foi simplesmente uma experiência inesquecível: um ambiente moderno, mas acolhedor, simples e com comida direta, franca, sem frescuras e, ao mesmo tempo, deliciosa.