quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Viva o Brasil!

Hoje a França que me perdoe, mas sou brasileiro e tenho orgulho de sê-lo, portanto, viva o Brasil, país no qual acredito e que vai dar alegrias ao meu filho e aos meus netos.

Viva o Brasil e seus vários brasis, de norte a sul, de leste a oeste, dos descendentes de portugueses, de índios, de alemães, dos africanos, viva o Brasil de todos.

Viva o Brasil que um dia vai aprender a expulsar da vida pública estes poucos que nos envergonham muito.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Paris Air Show

O assunto é passado, mas vale o registro. Em junho Paris acolheu o 49º Salão Internacional do Ar e Espaço de Paris, no Aeroporto de Le Bourget que durante seus sete dias de duração recebeu mais de 2.100 expositores internacionais (um recorde) e 138 mil visitantes profissionais e 200 mil visitantes do público em geral (dois outros recordes), é uma experiência única.

O primeiro Salão Internacional do Ar e Espaço de Paris aconteceu em 1909 – há mais de 100 anos – e é considerado o evento mais antigo do mundo dedicado ao setor aeroespacial sendo, desde a sua criação, o cerne do desenvolvimento do mercado de aviação global.

Em 2011 foram 28 pavilhões internacionais, mais de 140 aeronaves em exposição, inúmeras demonstrações de voo e ainda a oportunidade de visitar o Museu do Ar e do Espaço, no mesmo local, que me transformaram, de novo, em um menino.

Tenho, desde pequenino, um fascínio fora do comum por máquinas voadoras embora não seja um aficionado ou até mesmo um profundo conhecedor de detalhes técnicos como o colega Marcelo Ambrósio, que durante anos manteve no Jornal do Brasil uma coluna sob o tema que se chamava Slot e outra, aqui mesmo no Investimentos e Notícias, que era a Boarding Pass, ambas, infelizmente por total falta de tempo do seu titular, deixaram de ser publicadas.

Logo ao chegar andei pelos pavilhões, mas realmente não eram minha praia: stands de empresas de fiações, macacões de vôo, ligas de titânio, não queria ver nada disso: queria ver aviões!

E para fora, ao ar livre, para o pátio de manobras, fui. E aí, que felicidade, muitos aviões, helicópteros, mísseis, carros de apoio (!) e, para meu deleite, demonstrações de aeronaves em voo real (mais de 40), com pousos e decolagens a 100m de onde estava, na cabeceira da pista.

Isso sem falar do Breitling Jet Team, com seus jatos (única esquadrilha de acrobacias privada que usa jatos em todo o mundo), o seu Breitling Super-Constellation e os Breitling Wingwalkers (acrobatas que fazem performances nas asas de dois biplanos) – todos de tirar o fôlego.










segunda-feira, 5 de setembro de 2011

John Lobb

Como vocês sabem, minha primeira estada em Paris foi em 1978 e, desde então, voltava com regularidade até me mudar de vez, ao final de 2009. Numa destas ocasiões conheci o Fritz d'Orey.

O Fritz foi um dos primeiros brasileiros na Fórmula 1, em 1959, quando competiu pelas equipes Maserati e Camoradi em três GP’s: França, Inglaterra e Estados Unidos.

Infelizmente, após ser contratado pela Ferrari em 1960 e ter participado das 12 Horas de Sebring, ele sofreu um grave acidente nas 24 Horas de Le Mans, a 270 km/h, que interrompeu precocemente sua promissora carreira e hoje em dia mora no Rio de Janeiro.

Numa tarde de fevereiro de 1998, estávamos andando pelo Boulevard Saint Germain e passávamos em frente a uma loja da John Lobb, ele para e me pergunta, na lata: você já tem um John Lobb? Se não tem, ainda não conhece a verdadeira elegância de um sapato masculino: eu não apenas não tinha, como também não conhecia a marca fundada em 1849, que fabrica sapatos e botas para homens (e mulheres também) de altíssimo luxo e que foi adquirida em 1976 pela Hermès.

Seus produtos são inteiramente produzidos e acabados à mão, de forma artesanal e têm faixa de preço entre 900 a 8000 euros, com uma produção inferior a 100 pares/dia e podem ser encontrados em versões prêt-a-porter ou sob encomenda – imaginem que desde a escolha do couro até ser colocado em sua caixa amarela, cada par de John Lobb passa por 190 diferentes etapas durante o seu processo de fabricação.

Hoje a empresa conta, além das três filiais de Paris, com lojas em Nova Iorque, Los Angeles, Dubai, Moscou, Madri, Genebra, Londres, Shanghai, Hong Kong, Seul, Taipei, Fukuoka, Nagoya, Osaka e Tóquio.

Por culpa do Fritz tenho hoje alguns poucos pares de John Lobb.

Uma outra do Fritz: quando ele morou em Paris, seu carro era uma Ferrari 456GT, verde com interior creme, de uma elegância ímpar. Um dia ele me diz, vamos dar uma volta no Bois de Boulogne e você dirige. Mas essa vou contar depois. Uma boa semana.







domingo, 4 de setembro de 2011

Meu Quarteirão X Meu Quartier

Cresci na Rua Dias da Rocha, em Copacabana, entre os anos 60/70 e, nesta época, ainda menino, podia sair de casa para comprar sorvete e balas na carrocinha Kibon da esquina, pães doces e sonhos na Confeitaria GB, gibis e figurinhas na banca de jornal, carrinhos Matchbox e aviões da Revell na Casa Mattos e até depositar um ou outro cheque para os meus pais no Banco Real de Minas Gerais, em outra esquina.

Tínhamos, um pouco mais longe, na Rua Domingos Ferreira o Bob’s (o primeiro da rede) a Pizzaria Caravelle e o Restaurante Nino’s, o Mercadinho Azul, o Casas da Banha da Siqueira Campos e os cinemas de rua, como o Rian, na Atlântica, o Metro, o Art, o Copabacana, o Roxy e o Caruso, todos na Nossa Senhora de Copacabana.

As pessoas em geral, comerciantes, vizinhos, porteiros se conheciam, se falavam e se cumprimentavam e sabiam de onde você era, qual seu quarteirão, sua rua e, às vezes, até qual o seu prédio.

Infelizmente, isso mudou muito e acredito que tenha a ver com o crescimento da cidade e com o aumento da violência urbana.

Ao me mudar para Paris, depois de trinta e dois anos voltando apenas como turista e portanto, sem olhos de morador e, para piorar mais ainda, em outro “arrondissement” ao qual eu ainda não tinha a menor intimidade, o 5º - eu havia morado antes, bem mais jovem, no 16º.

Ao começar a ter que explorar a área, fui me surpreendendo com coisas que poderia supor de cidades pequenas, do interior, mesmo. Ao fazer coisas simples como cortar o cabelo, ir aos correios e à farmácia foram curiosas porque as pessoas me perguntaram se eu era novo no “quartier” (uma área de alguns quarteirões, por assim dizer).

Os guardadores de automóveis de restaurantes, os donos de comércios, feirantes, todos sabem, de uma forma ou de outra, que são os moradores de determinado “quartier”.

Imaginem o meu espanto: afinal Paris recebe anualmente milhões de turistas, fora a sua população de mais de 2 milhões de habitantes em seus vinte “arrondissements”.

Essa é uma sensação incrível, diferente do que vemos hoje no Rio, São Paulo e até cidades menores como Belo Horizonte ou Curitiba.

Essa proximidade com a vizinhança me lembra a infância que tive, bem mais solta do que a nossos filhos e netos têm hoje nas grandes cidades brasileiras. Uma pena termos perdido isso na maioria das grandes cidades do Brasil.

sábado, 3 de setembro de 2011

O Hôtel National des Invalides

O Musée de l’Armée foi criado em 1905, pela fusão dos antigos Museu da Artilharia, que havia sido criado durante a Revolução Francesa e pelo Museu Histórico do Exército, fundado em 1896. 

Entretanto o Musée de l’Armée, situado no Hôtel National des Invalides é herdeiro, além dos acervos dos dois museus acima, de duas das mais prestigiosas coleções de armas: a coleção de "garde-meuble de la Couronne" e a coleção de armas dos Príncipes Condé (Chantilly).

Depois foi ampliando suas coleções com peças provenientes da Bibliothèque Nationale, do Louvre, da artilharia do Château de Vincennes, do Hôtel des Monnaies, do Castelo Pierrefonds, e de numerosas aquisições feitas durante as campanhas coloniais ou ainda devido a doação realizadas por particulares.

Suas coleções estão divididas nos seguintes departamentos: Armas e Armaduras nos Séculos XIII e XVII, Louis XIV a Napoléon III, Guerras entre 1871 e 1945, Artilharia, Emblemas, Figurinhas (é, figurinhas, mais de 150 mil delas) e ainda pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e fotografias.

No mesmo Hôtel National des Invalides podemos visitar o Memorial Charles de Gaule, de onde se sai com a nítida impressão de que foi o General, pessoalmente, o responsável pela liberação da França e também o Musée des Plans-Reliefs, que exibe uma extraordinária coleção de maquetes gigantescas de portos franceses e cidades fortificadas, todas elas construídas nos Séculos XVII e XVIII para auxiliar o planejamento militar.

Com entrada pelo pátio interno temos a Église des Soldats, que é considerada como o centro espiritual do exército francês e sua austera simplicidade contrasta radicalmente com a luxuosa Église Royale (atual Église du Dôme), do lado oposto e com acesso pelos jardins.

Curiosamente de uma vê-se a outro através de uma divisória de vidro - um design inovador que permitiu que os fiéis compartilhassem o mesmo altar sem correr o risco de ter contato social, à época.

Em suas paredes estão pendurados cerca de cem estandartes capturados em campos de batalha e que faziam parte de uma coleção de quase três mil que já adornaram a Catedral de Notre-Dame.

Dentro da Église du Dôme encontramos o Túmulo de Napoleão, bem no centro dela, cravado no chão, está o gigantesco sarcófago vermelho, encerrado em uma galeria ornamentada com citações das realizações do Imperador, como seus Códigos Civil, Penal e Comercial.






sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O "penico" do mundo

Quando meu pai serviu, como diplomata, em Madrid, ele e minha mãe fizeram amizade com um casal de espanhóis: Wenceslau Verde e Amélia que, tempos depois desembarcaram no Brasil e montaram dois negócios: os Cinemas Condor e a Condor Filmes.

Já no Brasil eles se tornaram muitos chegados de minha mãe, já separada de meu pai, a ponto de todo e qualquer fim-de-semana irmos, ela e eu, ao cozido (não era almoço, não: era cozido) de domingo em sua casa no alto do Jardim Pernambuco.

Lembro de tudo como se fosse hoje: Tio Wence com o charuto, Tia Amelinha de bata, Carlos, Karla e Flavia (netos e meus amigos até hoje) e eu na piscina – rodeada de lindos jardins criados pelo paisagista Roberto Burle Marx – fazendo muita bagunça e recebendo broncas, o Jorge, Copeiro, nos trazendo a grande novidade que era o guaraná em lata da Skol (no Brasil ainda não havia folha de flandres, o que fazia que a lata fosse feita de um material muito duro e pesado).

E ainda o Kiko Pinto e seus filhos Luciana e Carlos, o nosso dentista Agnelo e seu Puma conversível preto, o casal de Dinamarqueses Gigantes, caramba: quantas boas lembranças!

Mas o que mais lembro é de uma frase que minha mãe sempre dizia ao sairmos de casa, na Praia do Flamengo: vamos torcer para que hoje o penico do mundo não fique cheio. Ela fazia referência à fama que o Alto Leblon e a Gávea tinham de estar sempre com nuvens (isso mudou hoje, acho que graças à ocupação urbana) e grande possibilidade de chover – apenas lá, diga-se de passagem.

Eu, com cinco, seis anos, achava muito engraçado essa história de penico mas o fato era que não raras vezes, realmente saíamos de casa com sol e chegávamos no Tio Wence com uma chuvinha de nada, mas era uma chuvinha.

Aqui em Paris estamos no meio do verão e como sempre em relação à chuvas, Paris tem uma padrão de regularidade, distribuindo-as durante o ano todo. Entretanto tem acontecido um friozinho incomum para a época e em quase todos os dias tem chovido um pouco e não tem sido raro o dia que pego sol e chuva no mesmo dia, o que me fez comprar um guarda-chuva desses pequenos e dobráveis (nossa!, estou ficando velho, mesmo).

Com isso tudo, tenho me lembrado de minha mãe, do Tio Wence e da Tia Amelinha e mais ainda da frase sobre o penico do mundo.

Só que agora, acredito que ele seja aqui e não no Alto Leblon ou na Gávea.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Paris: a ONU da culinária


Já escrevi sobre vários restaurantes bacanas, com comida de excelente qualidade e de preços bem em conta mas tenho que fazer um novo mea culpa e escrever sobre a diversidade das cozinhas que encontramos em Paris, onde pelo menos na quantidade de cozinhas representadas às ruas, a ONU é, definitivamente, aqui. Querem uma prova? Vamos lá.

A Espanha está presente no Terra de Bellota, no número 4 da Rue du Cardinal Lemoine, no 5éme arrondissement. Lá encontramos e podemos degustar azeites, azeitonas, presuntos, chorizos, vinhos, queijos e muito mais. Uma verdadeira embaixada dos sabores ibéricos.

Agora desceremos ao Marrocos, com dois representantes: o l’Atlas e o Atlas Gourmet, ambos no Boulevard Saint Germain – um no número 12 e o outro no número 6 – no mesmo 5éme.

Os dois primam por sua excelência na cozinha marroquina de alta qualidade, com pratos sofisticados e tradicionais como couscous, tangines, cherne com açafrão sempre servidos com altas doses de hospitalidade em um ambiente tipicamente decorado, com porcelanas marroquinas, uma fonte d’água e móveis em madeira maciça.

Agora vamos atravessar a ponte me direção ao Japão, quero dizer, em direção à Île de Saint Louis, parte do 4eme. arrondissement. Vamos ao Isami, simplesmente o melhor restaurante japonês que conheço (que me perdoe o Sushi Leblon) e que é tido como o melhor sushi de Paris.

No número 4 do Quai d’Orleans, este verdadeiro Imperador da cozinha japonesa é um ícone de qualidade e tradição, sempre servindo produtos frescos, com cortes suaves e combinações realmente típicas, sem invenções contemporâneas esquisitas – simples assim.

E, já que estamos no Japão, vamos para pertinho, para a China, logo ali, no número 37 da Rue Saint Didier, no 16eme. arrondissement, onde fica o Au Bouddha Rieur.

Um lugar simples, com comida chinesa de alta qualidade apesar de servida em buffet – é isso mesmo, eu disse servida em buffet e com alta qualidade.

A mim também isso parecia impossível mas, quando lá entrei pela primeira vez mudei de opinião rapidinho e agora, sempre que tenho que ir ao dentista (que fica no mesmo bairro, a duas quadras), faço questão de marcar sempre perto da hora do almoço para poder saborear um pouco da China em Paris.